segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Tijolinho do Jolugue: Assassinato de João Antonio Donati revela alguns dados esterrecedores.


O programa de televisão da Luciana Genro - por sinal muito bom - apresenta alguns dados preocupantes sobre os crimes por homofobia no mundo e, em particular, no Brasil. 45% dos crimes por homofobia no mundo são cometidos no Brasil, salvo algum engano. No país, nos parece que o Estado mais preconceituoso seria o Estado de Alagoas, aqui no Nordeste. Nem Marina Silva, nem Aécio Neves nem Dilma Rousseff irão assumir qualquer compromisso no tocante à criminalização da homofobia. Luciana assume esse compromisso, infelizmente, porque ainda se dirige a um eleitorado politicamente orientado. Não nego suas convicções sobre o tema. O problema será quando esse partido precisar negociar com o sistema. Observo a enorme dificuldade dos demais postulantes - numa condição real de poder - assumir uma posição que suscita tanta polêmica no establishment. Isso me fez lembrar de uma afirmação do antropólogo Gilbert Durand, em sua famosa bacia semântica, onde coloca que passamos algo em torno de 150 anos para o status quo incorporar novos valores. Isso significa que vamos esperar algumas dezenas de anos para a civilização "assimilar" essa tolerância com as opções sexuais das pessoas. Até recentemente, a Rede Globo precisou explodir um shopping center para retirar um casal de lésbica de uma determinada novela. Hoje, nos núcleos gay, a julgar por essa última novela das 20:00 horas, Império - escrita por uma autor de novelas assumidamente homossexual -  estão até mais fortalecidos do que os núcleos de orientação hétero. Daí a abolirmos o preconceito social no tocante à orientação sexual dos indivíduos vai uma longa distância. Formalmente, a escravidão foi abolida no Brasil em 1888, por decreto. Passado todos esses anos, jogadores negrso ainda são xingados por coxinhas e madame fica incomodada de dividir os saguões de aeroporto com pessoas que usam trajes de rodoviária. O jovem João Antonio Donati, de 18 anos, que foi assassinado recentemente, é um triste exemplo disso. Um dos detidos pelo crime confessou que torturou e matou o jovem por preconceito, como se imaginava, pelos requintes de crueldade. Estima-se que o crime tenha sido cometido por mais de uma pessoa, possivelmente uma gangue.

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