sexta-feira, 1 de maio de 2015

Tijolinho Real: Nous sommes tous des enseiganants do Parará.


Os episódios ocorridos recentemente no Paraná, onde a Polícia Militar do Estado, cumprindo ordens do Governador Beto Richa, reprimiu violentamente os professores, ainda repercute no país. Até o Ministro da Educação, o filósofo Renato Janine Ribeiro, pronunciou-se sobre o assunto, pedindo mais diálogo e menos repressão, oferecendo a capilaridade institucional daquele órgão como um canal de negociação entre as partes em litígio. Ainda jovem, no xadrez político interno dos tucanos, Beto Richa era tido como uma estrela em ascensão. Por mais de um momento, seu nome foi ventilado como um possível candidato presidencial da agremiação, respeitando, claro, a fila, que já apontava o senador mineiro Aécio Neves na dianteira. Um dos primeiros aspectos a serem observados nesses episódios é a erosão do seu capital político. Acuado, agiu muito mal. Comprometeu, inclusive o capital político dos tucanos - se é que há algum - no tocante ao enfrentamento das crises. Não pode ser responsabilizado isoladamente, uma vez os companheiros de bico fino que pousam em outras árvores - caso de São Paulo - também não foram capazes de ampliar os canais de negociações com a categoria. A ausência de diálogo e o cacetete parecem ser mesmo a lógica dos tucanos. As redes sociais mostraram cenas horríveis, de professores sendo violentamente atacados pela Polícia Militar do Estado do Paraná. Aquela história de que alguns policiais militares se recusaram a atacar os professores, de acordo com o Diário do Centro do Mundo, é tudo conversa fiada. Baixaram mesmo o porrete sem dó nem piedade, sem nenhuma crise de consciência. Assim como ocorre com a greve dos professores em São Paulo, a emissora do plim plim ignora solenemente os episódios grotescos, execráveis do Paraná. Tudo em razão de um conluio com o propósito de não prejudicar a imagem emplumada dos tucanos, embora não haja como negar, como já afirmamos, uma "lógica própria" dos tucanos no enfrentamento de movimentos reivindicatórios dos trabalhadores. Uma lógica de corte repressivo, sem a plasticidade do diálogo necessário para a construção de consensos. A partir dessas ocorrências, o senhor Beto Richa pode aposentar seus projetos políticos futuros, seja no plano estadual, assim como possíveis aspirações presidenciais. Esse país, um dia ainda toma vergonha na cara. Assim espero. O último relatório da UNESCO nos reprovou em diversas metas universais para educação, inclusive no alto índice de analfabetismo entre a população adulta. O país ainda ostenta um alto índice de analfabetismo, algo em torno de 13 milhões de indivíduos, um escore muito alto até mesmo para os padrões latinos-americanos. As jornadas de junho também pediram uma mudança radical na agenda pública, inclusive no tocante à educação. Desde então, muito pouca coisa ainda foi feita. Há apenas "acenos", legislação a respeito, mas que nunca se materializam, como o piso salarial dos professores, algo semelhante a uma miragem no deserto do Saara. Profundamente lamentável isso. Ontem, pelas cenas observadas no Centro de Convenções de Pernambuco, fica claro que o Governo de Estado tende a reproduzir as mesmas práticas do governo tucano do Paraná. Não sabemos onde isso vai parar. Eles estão cada vez tão parecidos. Uma corja que se une em detrimento dos interesses do povo, da categorias de profissionais sérios, como os professores, que apenas reivindicam seus direitos inalienáveis. Aqui, a rigor, não há avanços nas negociações. Também estamos diante de um impasse que apenas amplia o hiato entre a categoria e o governo. Infelizmente, historicamente, este país insiste nos muros, quando as pontes precisam ser construídas. Vamos dialogar, gente!

P.S do Realpolitik: Por falar em parecidos, tudo indica que o PSB irá fazer uma fusão com o PPS. 

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