segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

#meuprimeiroemprego



A nomeação do filho do ex-governador Eduardo Campos para a Chefia de Gabinete do Governo do Estado, foi a notícia mais comentada durante a semana nas redes sociais e até mesmo na mídia impressa. Há várias implicações envolvendo este caso, inclusive um rearranjo de forças entre os socialistas aqui da província, os ditos "orgânicos", que se sentiam desprestigiados no Governo Paulo Câmara. Com isso, passa a fazer algum sentido as declarações do Deputado Federal Sílvio Costa Filho, no dia de hoje, observando que não houve uma nomeação, mas uma intervenção. A postagem, publicada aqui no blog, onde o professor Michel Zaidan Filho emite a sua opinião a esse respeito, já alcançou mais de 10 mil acessos, centenas de curtidas e compartilhamentos nas redes sociais. 

A hashtag #meuprimeiroemprego, por sua vez, vem provocando debates acalorados, onde pessoas comuns e personalidades da vida pública e acadêmica estão se pronunciando sobre o assunto, relatando nas redes como começaram a vida, quase sempre por baixo, com muita dificuldades, posto que desprovidos de capital, seja econômico ou simbólico. Quando o prefeito Geraldo Júlio(PSB), por exemplo, usou a infeliz expressão: "isso acontece com milhares de jovens", se tivesse ponderado, não a teria pronunciado. Seja como cidadão, seja, sobretudo, como homem público. 

Como homem público, é seu dever de ofício, zelar pela cidade como um todo, não fazendo distinção de qualquer natureza, sempre atento ao interesse coletivo e não ao de grupos familiares. Ele sabe, aí sim, que milhares de jovens hoje matriculados nas escolas públicas da cidade do Recife, em seus cursos profissionalizantes, moradores da periferia, dos alagados e dos morros, não teriam as mesmas chances que os filhos bem-nascidos das oligarquias pernambucanas. Você foi infeliz, prefeito. Assim como ocorreu com aquelas denúncias envolvendo as "mulheres caranguejos", ali de Santo Amaro, usuárias de crack e que se prostituem, quando um dos seus assessores informou que a solução era aumentar ou consertar a cerca. Seria, muito ao contrário, criar pontes entre o cidadão e o poder público. 

E, para os internautas que nos cobraram um depoimento sobre o nosso primeiro emprego, aí vai: Começamos como professor de uma escolar particular. Na época, cursava Letras, na UFPE, pela manhã,  e ministrava aulas nos dois outros expedientes. Chegava às 7:00 horas no CAC, para não perder as famosas aulas de Latim da professora Inalda. Depois, prestei concurso público para o Governo do Estado de Pernambuco, onde fui aprovado entre os primeiros, e, posteriormente, ingressei no Serviço Público Federal, também através do instituto republicano do concurso público. O único cargo de confiança que ocupei foi através de um eleição direta, onde recebi os votos dos companheiros de trabalho, sem qualquer apadrinhamento. 


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