sábado, 5 de março de 2016

Condução coercitiva? O que é isso, companheiro?



Estamos escrevendo um longo editorial sobre esta fase da Operação Lava Jato, a 24ª, que expôs à execração pública o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula foi levado a depor, num procedimento denominado de "condução coercitiva", que contou, segundo os jornais, com a presença de 200 agentes da Polícia Federal, que cercaram sua residência de São Bernardo e a sede do Instituto Lula. Uma pirotecnia meticulosamente planejada, envolvendo setores da justiça e da mídia golpista, de forma a que a repercussão fosse a maior possível. 

O teor da delação premiada do senhor Delcídio do Amaral sai numa edição da Revista IstoÉ, atinge Brasília como um tsunami, repercute numa edição especial do JN. No dia seguinte, o aparato policial nas ruas, com o propósito de conduzir o ex-presidente para depor. Flashes abundantes da emissora do plim, plim, em intervalos regulares, capa da Veja - possivelmente em flagrantes constrangedores - e mais Jornal Nacional à noitinha, com mais de 90% do seu conteúdo dedicado ao assunto. Nem Maju, com suas previsões do tempo, conseguiu esfriar o clima. Um massacre midiático de proporções gigantescas. O danado é que o PT, no Governo, teve uma rara oportunidade de disciplinar a atuação dos meios de comunicação de massa e não o fez. Pelo contrário, eles foram cevados com polpudas verbas da propaganda institucional, inclusive o grupo dos Marinhos.

Já conversamos aqui sobre os possíveis equívocos cometidos pelo PT e por Lula em particular. Portanto, nos sentimos muito à vontade com este assunto. Por outro lado, é inegável a urdidura armada pelos setores citados no sentido de inviabilizar o Partido dos Trabalhadores e suas principais lideranças. A trama está muito bem montada e, soma-se a isso os percalços da legenda no exercício do poder, aliado a um Governo que naufraga na gestão da economia. O cerco se fecha, o torniquete aperta. Dilma já entregou os anéis(pré-sal), mas eles desejam os dedos. Neste momento, não como negar, é muito delicada a situação do Governo Dilma, do Lula e do PT. 

Ficamos chocados quando observamos por aqui pessoas vibrando com a violação aos direitos individuais. O anti-petismo deles parece extrapolar o bom-senso, descampando para a canalhice mesmo. A violação desses direitos ou prerrogativas constitucionais devem ser veementemente combatidas, mesmo que direcionadas aos nossos piores inimigos. A opinião dos juristas é que, no caso de Lula, não cabia o expediente da "condução coercitiva", determinada pelo juiz Sérgio Moro. E não porque Lula é Lula. Um ex-presidente da República, um cidadão de status social elevado. A lei é para todos. É que o Moro errou feio mesmo. O expediente se aplica às testemunhas, que são contingenciadas a comparecerem e dizerem a verdade, mesmo que debaixo de vara, como brincou o Ministro do Supremo, Marco Aurélio Mello. 

Mais tarde, em discurso na sede do partido, Lula não escondeu o seu sofrimento com a operação da Polícia Federal. Afirmou que não tem nada a esconder e que, muito menos, se sentiria constrangido caso o juiz o tivesse convidado a depor. O faria com o maior prazer. Essa 24ª fase da Operação Lava Jato esconde algumas "sutilezas" curiosas, como uma pergunta formulada a Lula sobre os dois pedalinhos existentes no sítio de Atibaia, batizados com o nome dos netos, adquiridos por sua esposa Marisa Letícia, no valor de 2 mil reais. Aqui para nós, o que isso tem a ver como evidência de propriedade do imóvel. Isso prova apenas que Marisa é uma vovó como todas outras, apaixonada pelos netos. 


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