terça-feira, 15 de março de 2016

O que danado vieram fazer Hegel, Marx e Engels no Ministério Público de São Paulo?





Comenta-se que, em seu depoimento na Polícia Federal, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou bastante inconformismo com a acusação feita a ele, pelo promotor Cássio Cosentino, do Ministério Público de São Paulo, sobre a possível propriedade do tríplex do Guarujá. Baseado num emaranhado de ilações, fuxico e coisas e tais, por uma dessas razões inexplicáveis, os promotores do Ministério Público Paulista chegam a essa conclusão, o que, segundo ele, sustenta a tese de um pedido de prisão preventiva. Nesta confusão toda, sobrou até para os filósofos Hegel, Marx e Engels, citados erroneamente, com o claro propósito de demonstrar erudição. Na pressa ou açodamento, os promotores sugeriram uma falsa amizade ou aproximação entre Marx e Hegel. Desejavam, creio, dizer Engels, o segundo violino das ideias socialistas. Isso causou uma grande polêmica nas redes sociais, o que suscitou um pronunciamento abusado de um dos promotores do caso. 

Tudo ia muito bem se os problemas terminassem por aqui. Na realidade, de uma ponta a outra, o relatório esta repleto de imprecisões, conclusões descabidas. Não faríamos aqui outras observações mais contundentes, mas, difícil não concluir, no mínimo, por um açodamento dos promotores. Em nome da distensão - nesses tempos de intolerância - vamos ficar por aqui. Os ânimos já estão muito acirrados. Gostaria de lembrar, apenas, que equívocos cometidos em tal relatório, por sua vez, podem ter contribuído para a interpretação da Polícia Militar Paulista de que uma reunião ou plenária do sindicato dos metalúrgicos do ABC Paulista, que seria realizada em Diadema, fosse interpretada como uma violação da ordem pública, apenas porque seria em favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido "agitador".

Nós até costumamos trazer algumas referências sobre estudiosos de determinadas questões aqui pelo blog. Mesmo mortos, já visitaram a província personagens como Althusser, Benfield, Maquiavel, Bourdieu, entre outros. Bourdieu, por exemplo, nos visitou recentemente, para realizar uma palestra na Prefeitura da Cidade do Recife, onde faria uma discussão sobre capital simbológico ao ilustre prefeito, que demonstrou profundo desconhecimento do tema.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário