quarta-feira, 9 de março de 2016

Um caso de nepotismo cruzado no Estado?



Quando eu leio essas notícias de nomeações de parentes para ocuparem cargos públicos, sou forçado a lembrar do homem público Graciliano Ramos. Preferia lembrar do escritor, mas é que os nossos homens públicos não estão dando um bom exemplo à sociedade. Até bem pouco tempo, se discutiu bastante a nomeação dos filhos do ex-governador Eduardo Campos para ocuparem cargos na administração do Executivo Estadual e Municipal. A nomeação alcançou uma enorme repercussão negativa nas redes sociais. Artigo do professor Michel Zaidan, publicado aqui no blog, alcançou a cifra de 12 mil acessos, um número bastante expressivo para um blog modesto como o nosso. 

Logo em seguida, veio a nomeação de um dos filhos do Deputado Federal, Sílvio Costa, para ocupar uma das Gerencias Regionais do Metrô do Recife. Outra enorme repercussão, desta vez os "coxinhas" cobrando protestos, possivelmente entre aqueles da base de apoio do governo - posto que Sílvio Costa é da base - como se se tratasse de um problema ideológico. Trata-se, na realidade, de um problema estrutural de nossa sociedade, conhecido por outros conceitos bem mais elucidativos, como patrimonialismo, familismo amoral, nepotismo. Agora, leio num blog local que, através do portal da transparência, verificou-se que a genitora do prefeito Geraldo Júlio ocupa um cargo na Gerência Financeira da Secretaria de Educação do Governo do Estado. 
Prefeito de Quebrangulo, cidade da Zona da Mata Alagoano, Graciliano Ramos só nomeou as irmãos para a instrução pública local depois delas terem sido aprovadas em concurso público. Conta-se que, certa vez, um acanhado fiscal municipal - que fora orientado a multar quem mantivesse animais soltos nas ruas - o procurou para informá-lo que seu próprio pai era um dos transgressores da determinação. Depois de pensar um pouco, Graciliano Ramos sapecou: Lavre a multa. Homem público não tem pai.


P.S.: Essa postagem surgiu a partir de uma matéria publicada no Blog de Jamildo, assinada pela repórter Cássio Oliveira. Não quis citar o nome da beneficiária, mas não vejo nenhum problema  nisso. Trata-se de Maria Eduarda de Andrade Lima Campos. O que talvez merecesse um reparo seria o título da chamada, sugerindo um nepotismo cruzado, que é quando ocorre de um gestor fazer um acordo com o outro, cada qual colocando seus parentes na gestão do amigo, evitando, assim, a acusação de nepotismo. É cedo para tirarmos alguma conclusão a esse respeito, mas advogo, por outro lado, que a intenção do prefeito foi a de livrar-se de tal acusação. 

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