quinta-feira, 19 de maio de 2016

Catalão foi demitido por questões de segurança. Pode uma coisa dessa?




O  "Pacote de Maldades" do senhor Michel Temer já se apresenta como uma realidade concreta, embora a sua face mais cruel ainda estar por vir. Amanhã voltaremos a tratar deste assunto em editorial, pois parece existir uma macabra concorrência entre os seus ministros no sentido de se saber quem pratica mais maldades, que sejam do agrado do chefe. Todos os dias úteis são anunciadas pelo Diário Oficial da União uma média de mais de 100 demissões. Ontem, o garçom Catalão estava nessa lista. Catalão foi garçom do Palácio do Planalto durante mais de 10 anos, alcançando as gestões dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Em razão disso, tornou-se uma pessoa não-confiável, de acordo com a assessoria do presidente provisório Michel Temer. Essa foi a explicação dada, depois da enorme repercussão negativa da demissão do garçom, pelas redes sociais. 

No editorial de ontem, comentávamos sobre as permissividades concedidas a um juiz de primeira instância, que o permitiram agir como um inquisidor da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, condenando à fogueira pessoas pelo simples fato de professarem uma crença petista. No caso de Catalão, ele sequer tem alguma vinculação com o PT. Hoje também especulou-se que Lula estaria muito preocupado com a "parada" da Operação Lava Jato. Prevê-se que boa coisa não se possa esperar dos seus próximos lances. Trata-se de um momento, Lula, de fato, de muita insegurança, obscurantismo e práticas persecutórias. A demissão de Catalão talvez seja emblemática para entendermos isso. Era um negro, para completar o enredo, num governo de brancos que jogou para o espaço as políticas de igualdade racial. Em seus comentários sobre o governo provisório do senhor Michel Temer, o sociólogo Paulo Sérgio Pinheiro (NEV-USP) - em vídeo publicado aqui no blog - enfatiza que ele escolheu auxiliares identificados com as suas características de personalidade: machista, branco, heterossexual. 

Não consigo entender como o garçom Catalão poderia representar alguma ameaça ao novo governo. Existem algumas coisas estranhas nessa engrenagem de golpe institucional que, somente daqui a dez anos, poderemos descobrir. Ainda na condição de presidente da República, como é que a presidente Dilma Rousseff não teria sido informada que o telefone do ex-presidente Lula estava sendo grampeado, permitindo que ela tratasse, por telefone, de assuntos que foram amplamente usados contra ambos, com o escândalo dos vazamentos posteriores? Por falar em "vazamento", tudo indica que o STF irá aceitar os pedidos de desculpas daquele juiz da Justiça Federal do Paraná, mas convocou Dilma a se explicar porque tratou como golpe o processo de impeachment do qual foi vítima. Zeloso esse Gabinete de Segurança Institucional do senhor Michel Temer. 


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