domingo, 29 de maio de 2016

Editoral: Michel Temer interrompe feriadão para diálogo com Gilmar Mendes. O que teriam conversado?





A rigor, não há, a princípio, nada a se surpreender nas conversas entre o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e o presidente interino, Michel Temer. Afinal, essa amizade vem de longas datas e, notadamente, depois de um certo momento da política nacional, parece ter havido uma sintonia de interesses entre ambos, se é que vocês me entendem. Nos últimos dias, entretanto, os alicerces já frágeis desse governo provisório, foram abalados com a divulgação dos áudios do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, com figuras de proa da política nacional, a exemplo de Romero Jucá, Renildo Calheiro e José Sarney. Sobrou para todo mundo, inclusive para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que supostamente teria confessado para José Sarney o arrependimento de ter escolhido a presidente Dilma Rousseff para sucedê-lo.

Raposa bem cevada nas manhas e artimanhas da política nacional, Sérgio Machado tomou o cuidado de gravas esses diálogos, emparedando o núcleo duro do stablishment político nacional, inclusive o hoje presidente interino Michel Temer. Por motivos bem conhecidos, a assessoria de Michel Temer passou a demonstrar uma enorme preocupação com o teor desses diálogos e cogitou de algumas medidas saneadoras, a começar, quem sabe, por afastar do governo os ministros que têm seus nomes envolvidos nas investigações da Operação Lava-Jato. Hoje os jornais divulgam que Sérgio Machado confessa a interlocutores que manteve encontro com Michel Temer até em locais inusitados como a Base Aérea. 

Como afirmamos antes, ambos, Gilmar e Temer, possuem uma relação de muita proximidade. A assessoria do Jaburu poderia em, nota, informar que o ministro do STF foi visitar o presidente interino com o propósito de entregar um convite para o próximo seminário a ser realizado pelo seu instituto, que continua recebendo patrocínio de bancos oficiais. Mas sabe-se que não foi bem isso o que eles trataram. Como presidente do TSE, Gilmar Mendes será o relator do processo que analisa as contas de campanha da chapa Dilma/Temer, nas eleições presidenciais de 2014.

Por outro lado, ainda mais instigador desse possível encontro, é o fato de que o ministro Dias Toffoli, vencido o mandato, está deixando a segunda turma do Supremo Tribunal Federal. Gilmar Mendes deverá substituir Dias Toffoli naquela segunda turma do STF, o que significa que cairá em suas mãos os inquéritos envolvendo políticos arrolados nas investigações da Operação Lava-Jato. Vamos torcer que o nosso ministro não aja com aquela "isenção" costumeira que ele vem demonstrando quando cai em suas mãos as acusações contra um conhecido senador da república. 

Na semana passada, um encontro entre o Ministro da Educação, Mendonça Filho, e o ator pornô Alexandre Frota, dos Revoltados Online - um grupo que apoiou o impeachment da presidente Dilma Rousseff, causou uma onde de protestos pelas redes sociais e pela blogosfera. A indignação de setores esclarecidos da sociedade é salutar, mas convém relembrar aqui uma tecla sobre a qual estamos batendo o tempo todo: essa é a "medida" do governo interino do senhor presidente Michel Temer, que nasceu com um caráter usurpador, ilegítimo, "bichado", recheado de figuras emblemáticas da política nacional, algumas delas diretamente envolvidas no escândalo da Operação Lava Jato. A tendência agora será o uso do arbítrio, da força, para suplantar tanta mediocridade. Será um governo brucutu. Também.
 

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