quarta-feira, 4 de maio de 2016

Editorial: A "medida" de um eventual Governo Temer




Depois de algumas críticas, o PSDB, finalmente, parece disposto a participar de um possível Governo Temer. Como afirmamos no dia de ontem, o Governo Temer será a “medida” exata da ópera burlesca montada no sentido de afastar a presidente Dilma Rousseff do poder. Acordos firmados, acordos cumpridos. No cenário político, pelos nomes até aqui anunciados como prováveis ministros, está se desenhando um governo de centro-direita, com algumas pastas estratégicas, no caso da pasta da educação, entregue a atores políticos com um passado organicamente vinculado a partidos que deram sustentação à Ditadura Militar instaurada no país com o golpe civil-militar de 1964. Mais um pouco e os alun@s deixarão os ciclos com aquele carimbo de "portador de boa conduta moral e cívica", em suas fichas 19.

Pelo andar da carruagem política, o Ministério da Educação poderá ficar nas mãos do Deputado Federal pernambucano Mendonça Filho(DEM). Seu nome está bem cotado na bolsa de apostas, embora tenhamos, ontem, citado o nome de um outro pernambucano para o cargo, o professor Mozar Neves. Antes mesmo de assumir, Temer já começa a dar explicações aos próprios apoiadores do golpe que está sendo perpetrado contra a presidente Dilma Rousseff, de quem ele era vice. Certos mesmos para ocuparem ministérios, até o momento, os nomes de Geddel Vieira Lima (PMDB), que deverá assumir a Secretaria de Governo, e Romero Jucá(PMDB), que deverá assumir a pasta do Planejamento. 

Pensava-se que ele iria promover um corte radical no número de ministérios, mas penso que ele voltou atrás, diante da contingência de satisfazer o apetite fisiológico dos golpistas. Enquanto isso, no ninho tucano, está sendo preparado o terreno para a sua derrocada. Como afirmava Marx em relação aos modos de produção, os golpistas carregam o germe de sua própria destruição. Vão se comer por dentro e Temer será a bola da vez. Aliás, uma dessas cláusulas pétrea acordadas é que ele não será candidato em 2018, cumprindo apenas um mandato de transição. As pessoas que leram com atenção a nota lançada pelos tucanos no sentido de emprestar apoio ao futuro Governo Temer, saberá, de imediato, do que estamos falando. Há, ali, até mesmo algumas armadilhas aos estratos sociais que sempre se identificaram com o petismo, como a proposta de “fortalecimento” dos programas sociais. 

Aqui para nós, sabe-se que os tucanos nunca gostaram de pobres. É esta, aliás, uma de suas fragilidades junto ao eleitorado socialmente mais “sensível”. Há várias evidências que deixam claro que Temer e Cunha não são os nomes da preferência do establishment golpista. Estão cumprindo com denodo os seus papéis, mas, mais adiante, poderão ser descartados. O termo correto deveria ser mesmo “deverão”. Certo mesmo estava o senador pernambucano, Humberto Costa(PT), quando afirmou que, se ele desse prosseguimento a essas manobras, poderia ser o próximo da fila da degola. Presumo que o senador está correto. Vale para Temer aquela lição dos vizinhos do lado. Acredita-se que, mesmo na condição de articulador político do Governo Dilma Rousseff, ele já urdia para derrubá-la. Agora se entende aqueles encargos de “consciência pesada”. Lembram? Até mesmo um Temer , eventualmente, pode tê-los alguma vez na vida. 

Por falar em lembranças, nos idos da década de 80, o senhor Jarbas Vasconcelos, hoje um Deputado Federal peemedebista que apoiou o impeachment da presidente Dilma Rousseff, era tido como um dos principais expoentes da esquerda aqui no Estado. Ganhou eleições apertadas para a Prefeitura da Cidade do Recife, através de uma intensa movimentação da militância jovem. Por duas vezes prefeito do Recife, a sua Secretaria de Educação era sempre ocupada pela professora Edla Soares. Assim como Silke Weber era a eterna "secretária" e educação de Arraes, Edla cumpria a mesma missão em relação a Jarbas Vasconcelos. A ambição de tornar-se governador do Estado de Pernambuco levou Jarbas a celebrar uma aliança política denominada de União por Pernambuco, que previa sua integração a um conjunto de forças políticas de corte conservador do Estado, como o pessoal do PFL. 

Formalizada a aliança, num churrasco na fazenda da família Mendonça, em Belo Jardim, era chegada a hora dividir o butim e os pefelistas começaram a chegar na Prefeitura da Cidade do Recife. Lembro de um diálogo ríspido entre um deles e a então secretária Edla Soares. Este fato nos vem à memória em razão de uma possível gestão do senhor Mendonça Filho no Ministério da Educação de um eventual Governo do senhor Michel Temer. Mas vamos deixar para comentar este assunto numa outra oportunidade em razão, sobretudo, de sua "gravidade".   

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