sábado, 18 de junho de 2016

Editorial: Alexandre Frota já se prepara a assumir o Ministério da Educação




Nós gostaríamos muito de deixar o nosso Ministro da Educação, Mendonça Filho, em paz, mas é que os fatos que estão ocorrendo naquela pasta, infelizmente, nos incomodam profundamente, na medida em que as nossas teses sobre a sua gestão à frente do órgão estão se confirmando com uma celeridade preocupante. Aliás, a celeridade com que agem esses integrantes do governo interino parece indicar que as aves de rapina que o estão apoiando tem pressa em ver seus pleitos materializados. A condição de temporalidade e provisoriedade do governo os deixam apreensivos. Aqui poderíamos acrescentar também a condição de podridão que caracteriza os seus integrantes, quase todos eles enlameados por denúncias de malversação de recursos públicos. De tão podre cai um a cada semana, numa espécie de Big Brother macabro - porque, neste espetáculo está em jogo o interesse público -, onde os internautas já estão até apostando sobre quem será o próximo a cair: Eliseu Padilha, segundo a Veja? ou Mendonça Filho, de acordo com o Globo? 

Neste primeiro mês de gestão, já é possível mapear os interesses que estão em jogo e agindo deliberadamente sobre medidas e políticas do Ministério da Educação, o que não nos surpreende, posto que já seria previsível. Na semana passada, tomamos conhecimento sobre um mega encontro entre uma associação que congrega os grandes investidores com interesses na educação superior privada e assessores do MEC. Essa associação, segundo dizem, é presidida por um grande empresário do setor, que teria forte influência sobre a própria indicação do ministro Mendonça Filho para assumir aquele cargo. Em pauta, o "afrouxamento" dos critérios de avaliação dos cursos superiores no Brasil. Creio que não precisamos acrescentar mais uma única vírgula a este parágrafo.

Como sempre foi um ministério estratégico para os governos de coalizão petista, considerando-se os gravíssimos problemas da educação brasileira, alguns debates foram aprofundados, gerando aquilo que poderíamos chamar de políticas de Estado e não deste ou daquele governo. Se há algum retrocesso aqui, poderíamos pagar um preço altíssimo. Infelizmente vamos pagar esse preço se mantivermos esse governo provisório por mais tempo. Um desses debates gira em torno do BNCC - Base Nacional Curricular Comum - algo que, apesar de polêmico, foi amplamente discutido com a sociedade civil em todo o Brasil, além de entidades de classe. Apesar das controversas inerentes, é possível afirmar que chagamos há alguns avanços importantes, como o respeito à diversidade e aos direitos de minorias nas escolas brasileiras. 

Pois bem. Como uma das primeiras vitórias do ator pornô Alexandre Frota naquele ministério pode ser assinalado um recuo nesse debate, pasmem os senhores, para ouvir entidades que já foram ouvidas, como a ABL, Impa, além da "proposta" de desideologizar a discussão. Primeiro, o ministro demonstra desconhecimento sobre o andamento do debate sobre o assunto. Depois, claramente, cede às possíveis pressões da proposta do ator pornô, traduzida no Escola sem Partido, que abomina o saudável debate político nas escolas, além de questões de gênero, famílias não tradicionais, respeito às opções sexuais, diversidades e minorias. 

Confesso a vocês que jamais imaginaria a possibilidade de um ator pornô exercer tanta influencia num Ministério da Educação, sobretudo com este tipo de proposta. Talvez seja por isso que o amigo blogueiro Renato Rovai, da Revista Fórum, em tom de ironia tenha sapecado a possibilidade daquele ator pornô assumir o Ministério da Educação, numa eventual substituição ao senhor Mendonça Filho, cuja cabeça parece que já está a prêmio, mesmo entre órgãos de imprensa que apoiaram essas urdiduras. É uma degradação sem precedentes em nossa história. 

Seria o caso, por exemplo, de estarmos discutindo aqui as ideias dos teóricos da educação, A ou B, e como suas ideias estariam influenciando as diretrizes do órgão,mas o fato é que regredimos e este estágio. Pelo menos era assim nos meus tempos de faculdade. Hoje, quem exerce forte influência ali não são teóricos da educação, mas empresários da educação e privada e atores pornôs. Também hoje se falou que o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, percebeu, através de áudios gravados, a existência de indícios que apontam que o senhor Mendonça Filho teria recebido, irregularmente, a quantia de cem mil reais supostamente de propina. Caso isso se confirme e ele entre no paredão do Big Brother macabro, Alexandre Frota já estaria se preparando para assumir o ministério. Neste governo interino tudo é possível. 

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