quarta-feira, 1 de junho de 2016

Editorial: De 10 em 10 dias cai um novo ministro de Temer.




Passada as tormentas das fortes chuvas que caíram no Recife e e na Região Metropolitana nos últimos dias, o jornalista Angelo Castelo Branco comentou, em seu perfil da rede Facebook, que o senador Humberto Costa (PT) havia afirmado que, mantido o ritmo atual, a cada dez dias deve cair um novo ministro do governo interino do senhor Michel Temer. Já são dois os ministros que caíram em condições temerárias, enredados em grampos. Romero Jucá, que respondia pela pasta do planejamento, e Fabiano Silveira, da pasta da Transparência, que substituiria a antiga CGU. Depois dos grampos gravados, ambos ficaram sem as mínimas condições de ser mantidos à frente de suas pastas. 

Há dois aspectos interligados que podem justificar esse troca-troca de ministros de forma tão célere. O primeiro deles é que não se trama golpes com "mocinhos" ou com atores políticos imbuídos de espírito público e de perfil republicano. A escória da política brasileira esteve envolvida nessas urdiduras. O segundo aspecto é que Temer não tem saída, a não ser cumprir com o acordado, distribuindo o "butim" entre os seus companheiros. Sobre este último aspecto, convém esclarecer que já se esboça uma rebelião na Câmara dos Deputados, entre aqueles partidos que deram sustentação a esta manobra. Se até o final desta semana o Diário Oficial da União não trouxer os nomes indicados para o segundo escalão, Temer poderá começar a ter problemas na votação de projetos de interesse do governo interino. 

Sinceramente falando, nesse ministério, o que não falta é a "bola da vez", a começar pelo próprio titular, que pode cair na segunda votação do Senado Federal, prevista para setembro. Se ele conseguir chegar até lá. Por uma série de motivos, o governo interino não vai nada bem. Até jornalistas "engajados" já começam a esboçar um temor pelo que possa acontecer na segunda e definitiva votação do Senado Federal. Hoje li pelos jornais que o filho do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, também integra a lista entre os delatores da Operação Lava Jato. O PMDB treme nas bases porque, segundo dizem, as declarações de Expedido Machado Neto, podem ser ainda mais comprometedoras do que as do pai, Sérgio Machado. Sua delação premiada já foi homologada pelo Ministro do STF, Teori Zavascki. Expedido Machado era operador do PMDB. Vocês podem calcular o estrago. 

E, por falar em delação premiada, ainda repercute o teor da fala do ex-deputado Pedro Correia Neto, já condenado na Lava Jato e cumprindo pena superior a 20 anos. Vazou para a imprensa suas declarações dos bastidores da aprovação da emenda da reeleição, na época do governo do senhor Fernando Henrique Cardoso. De acordo com Pedro Correia Neto, houve uma espécie de "disputa ou leilão de propina", na base do quem dá mais, entre os operadores em nome de FHC e do senhor Paulo Maluf. Dois times da pesada, na base do jogo sujo e golpes baixos, disputaram o voto dos parlamentares, ainda de acordo com Pedro Correia. 

Pelo time de Fernando Henrique Cardoso, operaram Sérgio Motta, Luis Eduardo Magalhães, Amazonino Mendes, Pauderley Avelino. Pelo time de Paulo Maluf, jogaram (ops!, conspiraram) o próprio Pedro Correia, Severino Cavalcanti e Salatiel Carvalho. À época, Maluf entrou forte no jogo, ancorado numa grande aprovação do seu governo. Pedro calcula que o voto de mais de 50 deputados teriam sido "comprados". Por diversas razões - inclusive por conselhos da família - Pedro Correia resolveu abrir o bico. Tem usado de absoluta sinceridade. É um ator político com PhD nos estertores dessa engrenagem de corrupção do país. Sabe muito. Segundo ele mesmo afirma, desde os tempos da Arena já aprendia suas primeiras "letras". 

A charge que ilustra este editorial é de Leo Villanova, publicada na Gazeta de Alagoas, nesta quarta-feira.

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