domingo, 5 de junho de 2016

Editorial: Polícia Federal encontra provas contra um tucano... morto!



O caldeirão político de Brasília continua em plena ebulição, o que nos facultariam escrever aqui sobre diversos temas, como a queda de mais um ministro do governo provisório do senhor Michel Temer ou mesmo as manobras casuísticas da Comissão do Impeachment do Senado Federal - no sentido de apressar a degola, em definitivo, da presidente Dilma Rousseff - que a estão transformando numa espécie de Tribunal de Exceção. Quatro recursos já foram impetrados pelo advogado José Eduardo Cardozo, no STF, no sentido de garantir a presidente legítima, o direito mínimo facultado aos acusados: a defesa ampla e irrestrita.  

Sobre este tema, voltaremos a falar em breve. Hoje, dando uma passadinha pelo microblog Twitter - onde já fomos bem mais ativos no passado - observei uma notícia que estava repercutindo bastante. A notícia dizia respeito ao ex-senador da República pelo Estado de Pernambuco, o tucano Sérgio Guerra, já falecido. Durante alguns meses, antes mesmo de sua morte, andou circulando a informação de que ele teria sido um dos beneficiários do propinoduto da Petrobras, tendo recebido a fabulosa quantia de 10 milhões de reais para barrar os trabalhos de uma CPI que teria como propósito, exatamente, investigar as falcatruas que estavam ocorrendo na empresa estatal. Antes mesmo das investigações terem chegado a cabo, o parlamentar pernambucano morreu vítima de um câncer. 

Com a sua morte, naturalmente, a informação saiu dos noticiários. Eis que, assim como na série "The Walking Dead", ressurge o zumbi do então senador Sérgio Guerra, trazido à terra dos vivos através de uma filmagem de uma câmara de segurança, onde há fortes evidências de que, naquele momento, o acordo para estancar a CPI teria sido firmado com o senador, na presença do então presidente da Petrobras, Paulo Roberto Costa e empreiteiros. Aparentemente, não há necessidade de consulta a algum especialista no assunto, quando se atém ao diálogo do senador: "Não vamos polemizar", "tenho horror a CPI", "deplorável um deputado fazendo papel de polícia". 

Há um consenso entre a opinião pública mais esclarecida do país sobre o fato de que os tucanos gozam de algumas prerrogativas acima dos brasileiros comuns, notadamente aqueles com algum tipo de vínculo com o PT. É impressionante como as investigações sobre esta espécie de ave política não avançam na justiça brasileira. Eles parecem viver, eternamente, em céu de brigadeiro. A charge do chargista Aroeira, publicada na abertura deste blog, mostra bem, numa disputa entre a PGR e STF, que a "bola" de um senador tucano - bem vivo e conhecido - não cai. 

Para não dizer que não falei das flores, depois desse rolo compressor montado para incriminar o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, eis que hoje também andou circulando nas redes sociais a notícia de que a empresa de um dos filhos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teria sido beneficiado pela estatal Petrobras, quando ele exercia a Presidência da República. É o tipo de informação que apenas vaza para a imprensa sem que seja rigorosamente apurada, sem que sejam feitas ilações como aquelas que são feitas em torno dos filhos do Lula, por exemplo. Segundo se informa, a investidas contra os seus filhos é o motivo que deixa o Lula mais abatido.  

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