segunda-feira, 27 de junho de 2016

Editorial: Temer é rejeitado por 70% dos brasileiros.





Desde a semana passada que começamos a perceber um certo frenesi entre os jornalecos golpistas e os blogs ditos “limpos”, dando muita ênfase à noticia de que o juiz Sérgio Moro teria reaberto todos os inquéritos que envolvem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, informando que tais inquéritos já se encontram em sua fase conclusiva. Há duas informações aqui que precisam ser repetidas, embora já tenhamos discutido este assunto em outra ocasião: Faz parte do projeto golpista colocar Lula num alçapão, assim como já foi escolhido o ator que se encarregará de tomar esta medida. A conclusão óbvia é que o cerco está se fechando sobre o ex-presidente. 

Todos os passos desses atores estão sendo milimetricamente estudados. Uma coisinha aqui e ali – que pode escapar aos nossos olhos – pode representar, na realidade, apenas o descarte de alguns atores que já cumpriram o seu papel nessa engrenagem ou uma distração com o objetivo de tirar o foco do objetivo maior. Nos últimos dias, as operações de combate à corrupção ficaram pulverizadas - levando alguns analistas até enalteceram o fato de que estavam atingindo outros partidos, outras praças, outros atores - mas, mais uma vez foi dado um golpe duro no Partido dos Trabalhadores, ao ser preso o ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff, Paulo Bernardo, assim como a invasão da sede do partido em São Paulo, num lance curioso, que utilizou o aparato de elite da Polícia Federal. 

Já dormimos o "sono político" suficiente e é por isso que entramos nessa encruzilhada autoritária que hoje tentamos reverter. Convém, agora, ficarmos de olhos bem abertos para os seus movimentos. Eles pensam em tudo, até mesmo na possibilidade de medidas extremas, como o anúncio de uma espécie de "cerco" militar ao MST em Goiás. O combate à corrupção, por mais das vezes seletivos, constituiu-se, apenas, num argumento de apelo popular para desencadear essas ações de corte obscurantistas. Arrisco a dizer que as coisas não estão saindo necessariamente conforme eles planejavam.A começar pela escória política que apoiou essas urdiduras que, de tão suja, está caindo de podre, inclusive o próprio comandante da nau golpista, enredado em denúncias de malversações de recursos públicos.

Pelas declarações prestadas por delatores como Sérgio Machado, pesa contra ele o recebimento de dinheiro público irregular. Ontem um blogueiro "sujo" o Paulo Henrique Amorim, sugeriu que ele poderia renunciar, o que levantaria a possibilidade de novas eleições serem convocadas. Uma outra questão é a profunda rejeição a este governo golpista. Pesquisa do Instituto IPSOS, divulgada pelo jornalista José Roberto de Toledo, indica que sua taxa de rejeição já atinge 70%. Um outro dado importante dessa pesquisa é o profundo desgaste da classe política aqui e alhures. Numa pesquisa recente, realizada aqui no Recife, pelo IPESPE, os principais candidatos que irão concorrer às próximas eleições municipais de 2016, carregam uma taxa de rejeição desta mesma ordem, ou seja, 50%. Como diria o padre Reginaldo Veloso, eterno pároco do Morro da Conceição, aqui no Recife, em entrevista ao editor, o prestígio de alguns políticos está mais baixo do que pau de galinheiro.

O país precisa oxigenar-se politicamente. Creio que essa profunda rejeição às tecituras de caráter golpista seja um bom começo. Alguns autores já começam a observar aqui uma "onda" muito positiva, liderada por jovens, com pleitos que vão muito além das agremiações partidárias A ou B. Quem sabe uma reedição das "jornadas de junho". Um outro lado positivo é que essa preocupação com os rumos políticos do país, envolve uma mudança profunda nos seus procedimentos, nos seus atos, nos seus costumes, nas suas práticas, a começar pelos seus atores, hoje ostentando taxas altíssimas de rejeição. Já temos aí uma escórias na marca do pênalti, como Jair Bolsonaro, Eduardo Cunha. Amor sim, temer nunca. Firmes na luta. 


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