domingo, 12 de junho de 2016

Editorial: Um mês para Temer.





O governo interino do senhor Michel Temer completa um mês e confirma a tese levantada por um americano de que o impeachment da presidente Dilma Rousseff não seria o fim, mas o início da crise. Trata-se de um governo, que segundo uma analogia do jornalista Paulo Nogueira, do DCM - não muito a calhar para um domingo dos namorados, portanto, perdão leitores e leitoras - conseguiu liquidar a lua de mel antes mesmo de começá-la. A pesquisa realizada pelo CNT é demolidora. Ele conta com apenas 11, 3% de aprovação popular, numa conjuntura de fatores desfavoráveis que apontam que esses índices tendem a piorar e não a melhorar, sobretudo se considerarmos que a sua fase hard - a da erosão dos direitos e privatização do patrimônio público - ainda nem começou. 

De acordo com Paulo Nogueira, alguns órgãos da grande mídia tentam estabelecer alguma comparação entre este índice e aqueles dos piores momentos da presidente afastada, Dilma Rousseff. A comparação não é válida porque, naquele momento, Dilma era vítima de um massacre sem precedentes da mídia que apoiou as manobras golpistas. Concretizado o impeachment, por razões óbvias, eles deram uma trégua ao governo interino de Michel Temer. Creio que chegamos aqui a um grande impasse institucional, sem boa vontade de conciliação entre os atores políticos envolvidos, que pode nos remeter a um quadro de absoluta imprevisibilidade. A crise política, econômica e institucional não emite sinais de arrefecimento, mas de agravamento. Somente o talento dos chargistas para nos tirar do sério. Léo Villanova, um talento das Alagoas, em sua charge de hoje, publicada no jornal A Gazeta, mostra a ostentação da família Cunha adquirindo, imaginem, dois quilos de feijão numa mercearia. Ontem verifiquei num supermercado que o nosso feijãozinho já ultrapassou a faixa dos R$ 10,00. Estava por R$ 12,50. 

O governo do interino Temer é um governo que nasce sob signos extremamente danosos, como a ilegitimidade e o caráter moralmente suspeito. É um governo, como costumo me referir, "bichado". Grampos de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, o comprometem e, agora, surge a notícia de que o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, teria elementos para acusá-lo pelo recebimento do valor de cinco milhões irregulares. O poder legislativo é liderado por duas figuras de proa do PMDB, enredados até a medula em denúncias de corrupção, como é o caso de Cunha e Renan. Os elementos são tão claros que até suas prisões já foram pedidas. Cunha não está mais na presidência da Câmara dos Deputados, mas é como se estivesse, dada a sua capacidade de mobilizar seus apoiadores naquela Casa, tornado-se infenso às medidas saneadoras. Aliás, um dos motivos alegados para o pedido de sua prisão foi justamente a sua ingerência nos trabalhos da Câmara Federal mesmo afastado formalmente daquela instância de poder. O Brasil é realmente um país atípico.No dia dos namorados, eu quero só ver como Michel Temer romperá esse romance com Eduardo Cunha. 

Por falar em lua de mel, nem mesmo o mercado anda de boa com o governo interino do senhor Michel Temer. As bolsas que o digam. Para a mídia que ajudou a derrubar a presidente Dilma Rousseff, o problema, que antes era da incompetência da presidente, agora é reflexo da conjuntura internacional. A crise é mundial, gente! Impediram que Dilma Rousseff governasse, adotaram um torniquete político que a estrangularam temporariamente. Nem chances de defesa a permitiram, como se observa pelas sessões na Comissão Especial do Impeachment do Senado Federal, liderada por um senador do PSDB, Antonio Anastasia, além dos indeferimentos dos recursos da defesa junto ao STF. A pergunta que se faz, diante desses impasses, é para que tudo isso? 

A charge que ilustra este editorial é do músico e chargista Renato Aroeira. 

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