sábado, 2 de julho de 2016

Editorial: Apenas 13% da população aprovam o governo de Michel Temer.




É cedo. Ainda estamos há pouco mais de mês de governo interino, mas algo nos diz que, muito dificilmente, o senhor Michel Temer conseguirá reverter essas altas taxas de rejeição junto à opinião pública. Essa é a resposta da sociedade brasileira a essas manobras golpista, que, sem nenhum voto, sem apoio popular, através de expedientes ilegais e imorais, afastaram a presidente Dilma Rousseff do poder. Presidente legitimada pelas urnas, com 54 milhões de votos, em nenhum momento, contou com o apoio dessas forças retrógradas para governar. 

Ao contrário, foi solapada o tempo todo, o que demonstra que os interesses do país sempre estiveram em segundo plano para esta classe política. O PT, quando ainda tinha força política, deveria ter se preocupado mais com isso, trabalhando pela criação de uma engenharia institucional - leia-se reforma política - que poderia ter evitado muitas dores de cabeça mais adiante. Dores de cabeça e o poder, é bem verdade. Ao contrário, optou por ceder às chantagens em nome da "governabilidade", fez concessões demasiadas e tornou-se mais do mesmo.

Agora estamos mergulhados num impasse institucional. Um governo interino que não se consolida - ainda bem - em razão da forte resistência esboçada por alguns segmentos sociais, e uma presidente afastada que, mesmo se voltar - assim espero - enfrentará gravíssimos problemas de governabilidade, como, aliás, já vinha enfrentando. Com um legislativo hostil como este - dificultando a construção de consensos com o poder executivo - qualquer presidente teria enormes dificuldade de governar. Possivelmente em função disso é que li hoje pelos jornais que a presidente afastada Dilma Rousseff já teria "jogado a toalha" e optado por um plebiscito. 

Pesquisas precisam ser analisadas com muito cuidado, preferencialmente sem emoções ou ideologias, que acabam por minar a nossa lucidez. Outro dia deixei de publicar aqui - para evitar polêmica - uma avaliação do cientista político Antonio Lavareda sobre a pesquisa da CNT que dava uma expressiva vantagem de Lula sobre os demais candidatos postos, numa eventual candidatura dele nas eleições presidenciais de 2018. Os petistas, logicamente, comemoraram bastante, mas as ponderações de Antonio Lavareda, durante uma entrevista concedida ao Programa Roda Viva, nos aconselhavam prudência com os números. 

Mas, no caso do governo interino do presidente Michel Temer, outros indicadores sugerem que a situação dele junto a expressivos segmentos da sociedade é mesmo ruim. 66% da população não confia num governo que tem encontros secretos com o senhor Eduardo Cunha(PMDB), nas caladas da noite, para tratar sabe-lá do que. Por vezes me pego imaginando quem seria esses 13% da população que apóia o governo interino do senhor Michel Temer. A plutocracia paulista, a bancada do boi, dos bancos, da bala, da Bíblia, da berlinda. 

Depois de publicar aqui pelo blog um editorial sobre os processos movidos pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados e do STF contra o Deputado Federal Jair Bolsonaro(PSC-RJ), fomos virulentamente agredidos por um grupo que se denomina Direita Pernambucana, que congrega partidários do senhor Jair Bolsonaro. Além dos métodos utilizados por esse pessoal - quase sempre insanos e movidos pela agressividade - tive a curiosidade de observar seus "apoiadores".A página, da rede Facebook, já conta com mais de 47 mil seguidores. Não é brincadeira não. Tem gosto para tudo.  


Nenhum comentário:

Postar um comentário