sábado, 23 de julho de 2016

Editorial: Governador Paulo Câmara é vítima de hostilidades na abertura do Festival de Inverno de Garanhuns.


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Ontem, dia 22, através de sua timiline da rede Facebook, um ex-professor da Universidade Federal de Pernambuco nos trouxe algumas questões preocupantes sobre o futuro que nos aguarda daqui para frente, neste século XXI: Estado Islâmico, ditadura pós-golpe frustrado na Turquia, Donald Trump, Brexit e  Escola Sem Partido. Realmente, é um cardápio de tirar o apetite e a tranquilidade de qualquer cristão. Nesta lista, senti a ausência de alguma referência ao golpe parlamentar ora em curso no Brasil, que nos atirou numa instabilidade política, jurídica e econômica sem precedentes. Teríamos aqui elementos para os inúmeros comentários políticos cotidianos, como estamos fazendo por este espaço, todos os dias, sem parar, até que o ordenamento democrático no país seja restabelecido.  

Mas, neste friozinho de um sábado de julho, optamos por fazer uma visita à terrinha da Garoa, no agreste pernambucano, onde ocorre o tradicional Festival de Inverno, já na sua 26º edição. Ali, na cerimônia de abertura do festival, presentes entre as autoridades, lá estava o governador do Estado de Pernambuco, Paulo Câmara(PSB). Há um vídeo circulando pelas redes sociais onde ele aparece sendo tratado como "golpista" por alguns presentes, numa tendência que vem se verificando em todo o Brasil, conforme já prevíamos aqui pelo blog. O fenômeno tem se tornado recorrente e não caracteriza-se por uma manifestação orquestrada por militantes políticos, tampouco petistas. Cresce na sociedade brasileira uma indignação contra essas urdiduras, de caráter não-democrático, e, por consequência, hostil aos seus patrocinadores. Verdade seja dita, não consta, inclusive, que o governador Paulo Câmara tenha se engajado tanto assim no projeto de afastamento da presidente Dilma Rousseff. Até por temperamento, ele costuma ser muito discreto.

O PSB, no entanto, vai carregar esse ônus, uma vez que, enquanto agremiação política, esteve envolvido diretamente na aprovação do impeachment da presidente Dilma Rousseff. No equilíbrio da correlação de forças montado na Câmara Federal, entre pró-impeachment e contra-impeachment, para alguns analistas, a decisão do partido em somar forças com o grupo que desejava o afastamento da presidente Dilma Rousseff, teria sido decisivo para a vitória do "eu voto sim, senhor presidente". O atual gestor do Recife, Geraldo Júlio(PSB), menos discreto, declarou-se a favor do impeachment desde o primeiro momento. 

As formas de resistência surgem de maneiras inusitadas, não necessariamente bem planejadas. Outro dia, reproduzindo o que já havia ocorrido em Belo Horizonte, no Show da Virada Cultural, o cantor Geraldo Azevedo, durante uma apresentação, depois de cantar "um rei mal coroado não queria o amor em seu reinado, pois sabia, não ia ser amado...", ensaiou um "Fora, Temer" no que foi acompanhado pela plateia. Quem nos parece mais organizada é mesmo a direita. Basta dar uma olhadinha no site criado pelo movimento Escola Sem Partido, onde há um texto acusando, pasmem, o educador Paulo Freire de plagiador. Quem tiver curiosidade, é só dá uma olhadinha no site. 

Em todo o caso, mesmo que de forma não muito organizada - dizem que quem iniciou os gritos de "golpista" foram dois cidadãos que chegaram a ser retirado s da plateia - essas "insatisfações" da sociedade acabam tendo seus reflexos em algum momento. Num show, na inauguração de uma obra pública, no saguão de um aeroporto, dentro de um avião, num shopping center, na abertura de um festival, dentro de uma igreja, como ocorreu em Garanhuns. Em última análise, o que houve aqui no Brasil foi um atentado contra as regras da democracia representativa. Isso aponta para caminhos de trevas, que qualquer cidadão minimamente consciente não desejaria o seu retorno. No retrovisor da História, 1964.  

P.S.: Realpolitik: Tentamos até atenuar por aqui, mas o que se viu durante a abertura do 26º Festival de Inverno de Garanhuns, quando da fala do governador Paulo Câmara, era apenas um indicativo do que estava por vir. Durante a sua apresentação, a cantora Elza Soares  pediu e a plateia atendeu com um estridente "Fora, Temer".  Tenho dito. Pay Attention!


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