segunda-feira, 11 de julho de 2016

O xadrez político das eleições municipais do Recife, em 2016: Como a Operação Turbulência pode atingir os planos de reeleição do prefeito Geraldo Júlio.




As eleições municipais de 2016, certamente, não serão fáceis para ninguém. Serão realizadas num clima de muita instabilidade política e econômica, agravado pelas enormes dificuldades de financiamento. Ouso dizer que serão eleições atípicas, modestas, que exigirão dos marqueteiros estratégias inovadoras para "passar o recado" e convencer os eleitores a votarem nos seus candidatos. Algumas estrelas do marketing político já tomaram a decisão de não participar das próximas eleições municipais, em razão das dificuldades inerentes que se pronunciam. O lado bom disso é que os argumentos dos candidatos deverão ter um peso maior do que a pirotecnia de imagens e afins.  

Ontem li um artigo - nada otimista - sobre o prognóstico do desempenho do Partido dos Trabalhadores nas próximas eleições. O articulista já admitia que as perspectivas seriam sombrias para o PT. Depois do golpe parlamentar, não haveria, segundo ele, chances de um retorno da presidente afastada, Dilma Rousseff; As últimas campanhas presidenciais do PT, observava o articulista, contaram com montantes expressivos de recursos, possibilidade hoje remota, em função do veto ao financiamento de empresas privadas e os "embaraços" legais associados ao partido que, provavelmente, "desencorajarão" as contribuições até mesmo de pessoas físicas. Pelo andar da carruagem política, nem caixa dois nem caixa um. O "por dentro" e o "por fora" estarão prejudicados. O raciocínio do articulista dizia respeito às eleições presidenciais, mas, a rigor, suas ponderações, em parte, também se aplicam às quadras municipais, sobretudo se considerarmos o "peso" nacional nas eleições municipais deste ano, um ano conflagrado politicamente. 

Como já afirmamos em outras ocasiões, a manobra golpista foi muito bem urdida, pensada em todas as etapas. A morte por inanição ainda é um dos recursos muito utilizado pelos mal-intencionados. Embora bem costurado institucionalmente - com apoios no judiciário, na grande mídia, no empresariado e na banca americana - o golpe parlamentar já provoca uma resistência na sociedade civil. O último bom exemplo disso ocorreu nos shows da Virada Cultural, em Belo Horizonte, onde artistas e populares estamparam um Fora Temer e um Lacerda Nunca Mais. Márcio Lacerda é o prefeito da cidade, do PSB. Deixo o link abaixo com vocês, com todos os detalhes.

Isso significa dizer que os candidatos que estão, de alguma forma, identificados com os "golpistas" deverão apresentar algumas dificuldades durante a campanha, se considerarmos a hipótese de que este movimento popular em prol da democracia possa crescer daqui para frente, mesmo considerando que faltam apenas três meses para as eleições municipais. Aqui abrimos um parágrafo para aqueles que vão afirmar: mas e os candidatos do campo adversário, em certa medida, também enfrentarão a ira de uma alta taxa de rejeição, que incomoda a toda a classe política. Por razões bem óbvias, há uma ojeriza à classe política no Brasil. A última pesquisa de intenção de voto realizada aqui no Recife, pelo Instituto Ipespe, aponta que, entre os candidatos mais competitivos ao Palácio Antonio Farias, a taxa de rejeição gira em torno de 50%. A classe política, como um todo, está com o prestígio mais baixo do que poleiro de pato. 

O PT, como um dos grêmios partidários mais atacados por setores da grande mídia, deverá carregar o estigma de "partido corrupto". Muito mais do que os outros. Afinal, demonizar o PT é uma das estratégias embutidas desta engrenagem golpista. O estrago já foi feito e isso, todos sabem, não se resolve do dia para a noite. Estatisticamente, nem é o PT o partido mais corrupto do país, mas experiente dizer isto a algum popular desavisado na mesa de um bar. Ele nem precisa ser "coxinha". Mas, isso trouxe um outro efeito. A cruzada anti-corrupção que embalaram as urdiduras golpistas foram generalizadas e passaram a atingir, igualmente, os atores identificados com tal manobra, como o PMDB, o PSDB entre outros. Há um sentimento, até mesmo entre os "coxinhas", de que a assepsia deve atingir todo o sistema político. O ódio ao PT, num primeiro momento, os cegou, mas é como se eles caíssem na real sobre o principal interesse em jogo, que estava muito longe de ser uma cruzada anti-corrupção, posto que os atores políticos que ascenderam ao poder também estão contaminados por ela.

É neste sentido que, analisar essas próximas eleições dentro dos parâmetros da "bipolaridade" talvez não ajude muito. Uma boa pergunta a ser respondida aqui seria entender, até que ponto, por exemplo, mesmo entre aquele contingente populacional que deu suporte às urdiduras do "Fora Dilma", escândalos de corrupção como a Operação Turbulência irão pesar na hora deles depositarem os seus votos nas urnas. Dentre os atuais postulantes à Prefeitura da Cidade do Recife, nas eleições de 2016, identificados com este campo, quem, de fato, deverá capitalizar os votos dos "coxinhas" mais "conscientes"? É neste aspecto que, observações orientadas pela "bipolaridade" não ajuda muito a entender esta questão. Se essa turbulência atingir Geraldo Júlio(PSB), qual a dimensão do estrago? Talvez seja por isso que, o cientista político Antonio Lavareda, comentando a última pesquisa do Ipespe, teria lembrado que tudo pode ocorrer nas eleições do Recife, inclusive nada. 

A mobilização convocada pelos "coxinhas" para o dia 30 de julho poderá nos dar uma dimensão maior dessa questão, mas já observo, no interior do movimento, uma crescente indignação contra as denúncias de corrupção envolvendo seus apoiadores no campo político. É como se, setores do movimento, já estivessem arrependidos de ter dado suporte a esse "pau de galinheiro" que ascendeu ao poder. Os anti-golpe também não são necessariamente petistas, lulistas ou dilmistas, mas brasileiros, sobretudo jovens, que se mobilizam em defesa do Estado Democrático de Direito, das liberdades coletivas e das garantias constitucionais. 

Dilma entra aqui por tabela, em razão de ter seu mandato usurpado, quando foi afastada de forma irregular da Presidência da República. As manifestações de Belo Horizonte, por exemplo, nada nos sugere que tenham sido organizada por uma trupe petista. Agora, claro, que os petistas, naturalmente, são anti-golpe. Mas, por outro lado, há pessoas que se integram nesta cruzada e que não possuem qualquer identidade com aquela agremiação, sendo, portanto, difícil prevê se votarão, necessariamente, em candidatos petistas. Eles precisam ser conquistados. 

Alguns integrantes do PSB se mostraram reticentes ao apoio ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, mas, no final, o partido, acabou apoiando as urdiduras de caráter golpista. Alguns dos seus atores políticos, como é o caso do prefeito do Recife, Geraldo Júlio, fez questão de demarcar sua posição. No caso dele, claramente, desde sempre, pró-impeachment. Este "ônus" será debitado nesta campanha, possivelmente. Isso não significa dizer, entretanto, que o PT, necessariamente, possa beneficiar-se desta situação, posto que esse núcleo de mobilização social, como disse antes, não possui uma identidade orgânica com o partido. Em outras palavras, não é uma militância petista, devendo ser desenvolvida algumas estratégias para integrá-la aos petistas, quem sabe. 

Outro ônus pesado, repito, a ser carregado pelo prefeito que tentará a reeleição, são as denúncias de malversação de recursos públicos, envolvendo pessoas ligadas à sua agremiação política, denunciadas pela Polícia Federal, através da Operação Turbulência. A accountability socialista no Estado está próxima de zero. Até o momento, o governador do Estado não fez nenhum pronunciamento sobre as graves acusações que pesam contra o seu mentor político, que nem mesmo a mídia comprometida consegue omitir. No dia de ontem, 11, o cientista político Michel Zaidan questionou, através das redes sociais, se já  não estava na hora de uma intervenção federal no Estado para assegurar  a necessária isenção dessas investigações.  


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Fora Temer! Lacerda Nunca Mais!



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