sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Editorial: O perigoso "termômetro político" do Rio de Janeiro.

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Hoje existe um consenso entre os historiadores de que as urdiduras em torno de um golpe militar no Brasil - aquele de décadas passadas - estava sendo planejado para ocorrer bem antes de 1964, tendo como referência a resistência de setores militares à posse de João Goulart - que se encontrava de viagem à China - depois da renúncia de Jânio Quadros. Jango tomou posse, mas eles não desistiram do intento, esperando, tão somente, uma nova oportunidade, que ocorreria depois daquele famoso discurso na Central do Brasil, onde Jango anunciou que faria as reformas de base reclamadas pela sociedade brasileira, que são inviáveis até hoje, desde o Brasil Colônia. O golpe institucional ora em curso no Brasil, mesmo passado todos esses anos, ainda foi orquestrado no sentido de impedir o exercício da cidadania a quem ocupa o andar de baixo da pirâmide social neste país. 

Mas, o Rio de Janeiro continua lindo. Lindo e perigoso quando se toma como parâmetro as histórias de quarteladas ou mesmo de endurecimento das ações do aparelho repressor do Estado. Em 2013, por ocasião das Jornadas de Junho, o Rio de Janeiro e Pernambuco foram os Estados onde se verificaram as maiores violações de direitos na repressão aos estudantes. Também agora, diante do "impasse" institucional que estamos vivendo, eis que o Estado do Rio de Janeiro reúne todos os ingredientes para observarmos a tendência do pêndulo político - se num caminho de "endurecimento" ou se num caminho de respeito à legalidade e construção de um consenso no sentido de evitar traumas ainda maiores ao nosso já bastante fragilizado tecido democrático.

Em intervalos bem reduzidos, foram presos dois ex-governadores de Estado. Um deles no bojo das investigações da Operação Lava Jato, por receber, durante 07 anos, mesadas poupudas de empreiteiras que mantinham contratos de obras com o Estado na época em que ele era governador. Isso ocorre num momento em que o Estado se encontra completamente insolvente, sem condições de arcar com as despesas sequer do funcionalismo público. Comenta-se que o senhor Sérgio Moro, em seu despacho ao pedir a prisão de Sérgio Cabral, teria até argumentando em torno de suas ostentações no exterior - com dinheiro proveniente dessas mesadas - enquanto o cidadão comum vivia em situação de penúria. O que eu vou dizer aqui parece um pouco delicado, mas sabe-se que o senhor Sérgio Cabral nunca honrou sua função pública e gosta ,sim, de ostentação. Quando governador, em viagens curtas para os happy-hours de fim de semana, que poderiam ser feitas de carro, costumava usar helicópteros pagos pelo erário. 

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