terça-feira, 15 de novembro de 2016

Editorial: Temer, como você conheceu a Marcela?


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Já se disse, não sem alguma razão, que os regimes que se fecham produzem muitos idiotas. As ditaduras são o paraíso dos dedo-duros, dos lambe-botas, dos puxa-sacos, dos servis, dos áulicos, dos cupinchas. Não deve ser por acaso que até mesmos estudos científicos já encontraram alguns cérebros de asno em pessoas que se identificam com as teses de direita. Instabilidade política, além das consequências inerentes, traz, no seu bojo, um momento de anestesia da inteligência entre alguns seres humanos. Para um dos editores da página Jornalistas Livres, o programa Roda Viva de ontem decreta, em definitivo, a morte do jornalismo. Há duas semanas, comecei a formar uma expectativa sobre o programa Roda Viva, transmitido todas as Segundas-Feiras, pela TV Cultura, mantida pelo Governo do Estado de São Paulo, um reduto tradicional do tucanato.

Fazia algum tempo que não acompanhava o Programa. Neste intervalo, foi anunciada uma entrevista com o cientista político Antonio Lavareda, que abordaria as últimas eleições municipais, daí o nosso grande interesse. Soma-se a isso, as boas lembranças que tínhamos do Programa, assim como as referências positivas da TV Cultura, conhecida por sua qualidade de conteúdo. Em todas as pesquisas realizadas sobre a qualidade da TV no Brasil, a TV Cultura sempre liderou, apesar dos baixos índices de audiência. Esse dado, inclusive, suscitou muitas polêmicas acerca do papel das TVs pública no Brasil. É financiada pelo Estado, o conteúdo é bom, mas a audiência é pequena, o que acabaria comprometendo o alcance dos seus objetivos. Talvez fosse o caso de privatizá-la, abrir sua grade para publicidade paga etc. Essas polêmicas continuam até hoje e não vamos reabrir por aqui este debate. Haverá outros momentos mais oportunos. 

Até recentemente, a emissora amargava uma crise profunda, não sei se totalmente superada. Creio que não, a julgar pelo que se viu na edição de ontem, do Programa Roda Viva, quando foi entrevistado, diretamente do Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer(PMDB). Talvez o componente mais evidente da emissora, observado durante a entrevista, seja mesmo o seu caráter chapa-branca, que abnegados jornalistas daquela Casa tentaram, em vão, combater. Esses jornalistas atuavam numa "margem de manobra possível" que impedia o desmoronamento do jornalismo sério e da qualidade de sua grade de programação. Pelo que se viu na noite de ontem, eles foram derrotados. 

Os entrevistadores foram escolhidos a dedo, num alinhamento de quem não desejava que perguntas indiscretas fossem dirigidas ao presidente Michel Temer. Mesmo assim, diante de uma banca francamente favorável - que já o havia aprovado de antemão - o presidente acabou titubeando em suas respostas, passando uma nítida impressão de quem se sentia pouco à vontade no cargo, refém, quem sabe, dos atores e das forças políticas que o guindaram ao poder, mas agora cobram uma fatura muito alta. Nem entro aqui no mérito sobre a sua resposta a uma pergunta acerca de uma possível prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no sentido de que não seria bom para a estabilidade política do país. 

No dia de hoje, o assunto ganhou muito espaço nas redes sociais, com ilações de toda a natureza sobre a forma como presidente Temer respondeu à pergunta. Mas o fato concreto é que, mesmo diante de uma banca favorável, ele não esteve muito bem. Para "descontrair" o ambiente, só mesmo aquela pergunta formulada pelo jornalista Ricardo Noblat, que quis saber como o presidente Temer havia conhecido a Marcela. Instigante. Muito instigante para este momento de profunda instabilidade política, institucional e econômica, com alguns Estados "quebrados", como o Rio de Janeiro.   

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