domingo, 27 de novembro de 2016

Morte de Fidel Castro: A Revolução Cubana em tópicos - "A História Me Absolverá".







José Luiz Gomes


Após a fracassada tentativa militar de tomar de assalto o Quartel de Moncada, os prisioneiros sobreviventes foram submetidos a julgamento nos tribunais da ditadura do sargento Fulgêncio Batista. Assim como a família Somoza na Nicarágua, Batista era uma espécie de filho da puta, mas nosso aliado, como costuma enfatizar os presidentes norte-americanos ao se referirem aos seus algozes aliados no continente americano. Enquanto boa parte da população cubana não tinha o que comer, ele costumava dar festas faraônicas em sua residência para receber os comparsas da ditadura. Numa dessas festas - a do aniversário de uma de suas filhas - encheu uma piscina de champanhe. Gostava de ostentações.

O julgamento do líder Fidel Castro e de outros revolucionários que empreenderam a tentativa de assalto ao Quartel de Moncada foi um desses julgamento onde já se sabia - aprioristicamente - qual seria o resultado. Aliás, esses julgamentos estão se tornando rotina. Já não mais existe aquela premissa da "incerteza", onde fica caracterizado o respeito ao contraditório pelos juízes. Fidel foi condenado a 15 anos de prisão. Cumpriu um e exilou-se no México, agraciado por uma anistia. Fidel assumiu a sua própria defesa, proferindo um discurso famoso, que depois se tornaria no livro "A História Me Absolverá". Vazado clandestinamente de Cuba, o livro virou um best-seller no ocidente. 

Em sua fase de exílio no México, Castro dedicou-se a reaglutinar as suas forças revolucionárias com o propósito de voltar à Ilha e iniciar uma guerrilha rural. Articulou-se dentro e fora da Ilha, mantendo contatos com os grupos guerrilheiros urbanos já formados e em atuação, tendo como um dos canais privilegiados aquela que seria a sua "eterna companheira" Celia Sánchez, que arregimentava voluntários e armas para preparar seu regresso à Ilha. No México, conseguiu reunir um contingente de 49 pessoas dispostas a iniciar um processo revolucionário rural em Cuba, a partir das serras da Sierra Maestra. Entre esses voluntários estavam o próprio irmão, Raul Castro, e o médico Ernesto Che Guevara, que deveria acompanhar a expedição, a princípio, como médico e não como guerrilheiro.

Che teria feito várias ponderações ao novo amigo Fidel Castro, inclusive acerca das precárias condições em que estavam sendo preparada aquela luta armada. Ambos tiveram um longo diálogo noite a dentro. Impetuoso e convincente, Fidel acabou persuadindo Che a integrar o grupo, sob a condição de respeitar o seu projeto de uma revolução continental na América Latina, o que o teria levado, anos depois do êxito da Revolução Cubana, a iniciar um outro foco revolucionário na Bolívia, onde foi morto. Desde os episódios da tentativa de assalto ao Quartel de Moncada, a CIA acompanhava todos os passos de Fidel Castro e do seu grupo, informando às forças do ditador Fulgêncio Batista todos os seus movimentos. Com muita antecedência, eles sabiam dos planos dos revolucionários de regressarem à Ilha. 

Aparentemente, quase nada deu muito certo neste retorno, exceto o grande êxito político e militar da guerrilha que, em pouco mais de 02 anos de batalha, chegou em triunfo a Havana, exaustivamente festejada pelo povo cubano. Na realidade, não houve um desembarque, mas um "encalhe" do iate Granma, que transportava os revolucionários. Recepcionados por um forte aparato militar de forças leais ao ditador Fulgêncio Batista, dos 49 revolucionários, apenas 15 sobreviveram, entre eles o próprio Fidel, Raul e Che. O apoio de membros da guerrilha urbana, liderados por Celia Sánchez, não tornou-se possível, posto que o Granma nunca chegou ao destino combinado. Comenta-se que, após a fuga intensa pelos canaviais, os guerrilheiros acabaram se reagrupando e um deles teria respondido a Fidel que restaram apenas 15 homens. Ele teria dito: Os dias da ditadura estão contados! 

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