sábado, 19 de novembro de 2016

Olinda: um escritor que (desejava?) ser político e um político que deseja ser escritor.


Resultado de imagem para Renildo Calheiros/Antonio Campos


Não pensem os senhores que as coisas aqui na província estão muito boas não. A violência está fora de controle, com ocorrências diárias de assaltos a agências bancárias e ônibus, com a possibilidade de convocação do Exército para ajudar na segurança interna, o que consideramos um precedente perigoso nesses tempos bicudos. Somente a capital do Agreste, Caruaru, já registrou 200 mortes apenas neste ano. Espera-se, para as próximas horas, o cumprimento de um mandado de reintegração de posse da Faculdade de Direito do Recife, o que não deverá ser cumprido através do diálogo, a julgar por outras medidas tomadas pela reitoria da Universidade Federal de Pernambuco. Portanto, as nuvens negras do ambiente político abafado também estão em nosso céu. Os ânimos de alguns atores políticos é que estão mais serenados, quem sabe já em virtude da baixa de guarda do período natalino que se aproxima.

Percebe-se isso pelas entrevistas concedidas por dois ex-prefeitos de municípios importantes do Estado, como são os casos de Olinda e Jaboatão dos Guararapes. Jaboatão, apesar da resiliência do ex-prefeito Elias Gomes(PSDB) em colocar-se de forma mais contundente sobre o assunto, o caso nos remetem a uma análise mais acurada, sobretudo se entendermos a dinâmica da operação da Polícia Civil realizada já no segundo turno daquelas eleições, que atingiu negativamente a candidatura do vereador Neco, do PDT, então apoiado por ele depois do malogro do candidato socialista, Heraldo Selva ainda no primeiro turno. Uma das auxiliares do ex-prefeito, Conceição, questionou o suposto apoio dado ao candidato Heraldo Selva(PSB) pelo Secretário André Campos, que nunca foi à cidade prestigiar o candidato socialista. Um outro dado intrigante aqui é que Heraldo Selva é parente e contou com o aval da viúva quando do batimento de martelo sobre o seu nome. Trata-se de mais um dado intrigante naquele intricado quadro político municipal. 

Em uma entrevista concedida a uma rádio local, o ex-prefeito de Olinda, Renildo Calheiro(PCdoB), voltou a falar em sua famosa tese sobre a derrota do PCdoB naquela cidade, ou seja, a da fadiga de material, depois de ocupar a Prefeitura por 16 anos. Revelador nessa sua entrevista é a confissão de que teria procurado o governador Paulo Câmara(PSB) para a construção de um nome "novo", não necessariamente com algum vínculo orgânico com os comunistas. O que atrapalhou, segundo ele, foi o lançamento da candidatura de Antonio Campos(PSB) - praticamente imposta goela a dentro - inviabilizando uma aliança histórica entre comunistas e socialistas no Estado. Depois de anos na vida pública, seus planos agora é tornar-se escritor, o que não deixa de ser uma ironia se considerarmos o fato de que, até recentemente, tínhamos um literato que tentou iniciar sua carreira política por aquela cidade. 

Convém aqui esclarecer que, na percepção do senhor Antonio Campos, ele é oriundo de duas famílias políticas - os Campos e os Arraes - portanto, o "campo político" não seria estranho a ele, tampouco ele teria ingressado neste campo através de uma tentativa de torna-se prefeito da cidade de Olinda. Por outro lado, pelo que se observa pelas suas movimentações, é que ele não arrefeceu seus ânimos com as dificuldades enfrentadas em Olinda. Muito pelo contrário, trava uma luta interna dentro da quadra socialista no plano estadual e nacional, inclusive construindo pontes com outros grêmios políticos. 

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