domingo, 11 de dezembro de 2016

Editorial: A devastadora pesquisa do Datafolha sobre o Governo Temer.


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Depois de um certo momento, sempre paira uma espécie de escuridão sobre as reais intenções dos atores políticos no Brasil. O fato concreto é que são poucos - poucos mesmo - aqueles providos de espírito público e, de fato, preocupados com os reais problemas enfrentados pela sociedade brasileira neste momento de crise. No contexto atual de nossa arena política, é difícil mesmo confiar nesses atores, sobretudo naqueles que ajudaram a mergulhar o país nesse pântano institucional. Nos últimos dias, a mídia que se omitiu ou participou ativamente das urdiduras do golpe institucional que afastou a ex-presidente Dilma Rousseff da Presidência da República não tem dado trégua ao senhor Michel Temer(PMDB). Está na raiz da questão entendermos essas motivações, sobretudo se considerarmos o assédio das aves tucanas sobre o ninho do Palácio Jaburu. 

Do ponto de vista da realpolitik, há aqui, portanto, uma luta fratricida no interior da engrenagem golpista. Esta é uma das principais unidades de análise. Não bastassem os problemas que enfrenta junto à população, Michel Temer passa por um processo de fritura entre os seus companheiros conspiradores, que já esboçam reações duras de rebeldia, como esta última em relação à indicação de Imbassay para compor o seu ministério político, em substituição ao demissionário Geddel Vieira Lima. No nosso modelo de presidencialismo de coalizão, essa base de sustentação política costuma cobrar com veemência as suas faturas. Quando não atendidas, o resultado é o pior possível. Essa base é frágil, fluída, vulnerável, corruptível, criando, quase sempre, sérios problemas de governabilidade. 

Governo ilegítimo e impopular desde o seu nascedouro, Temer torcia por uma recuperação da economia para tentar se impor, algo que não está ocorrendo. Importante observar que a pasta da economia é uma das mais cobiçadas pelos tucanos. Não deve ser por acaso. Eles externam uma possível pressão da "banca". A supressão de direitos dos trabalhadores e pensionistas - numa flagrante violação das cláusulas pétreas da Constituição - por outro lado, está atiçando a população a uma vigília permanente contra o seu governo. Até mesmo os "coxinhas" já começam a sentir os efeitos danosos dessas medidas, posto que boa parte da classe média brasileira é assalariada. Como diria o economista Roberto Campos, a parte mais sensível do ser humano é o bolso. Nessas horas, até os mais renhidos "coxinhas" podem mudar de posição.

Como já se sabe que a Folha de São Paulo não é um veículo de comunicação movido por algum ideal republicano, convém ficar sempre atento às suas reais intenções. Em todo caso, os dados apresentados por seu instituto de pesquisa, o Datafolha, são amplamente desfavoráveis ao senhor Michel Temer. Desfavorável talvez não seja o adjetivo mais adequado ao momento. "Devastadores" se aplicam melhor ao momento. Os índices de apoio ao Governo Temer nunca superaram a barreira dos 13% da população. Curioso isso, não? Mas vamos aos números do Datafolha: Para 58% da população, Temer é desonesto. Isso pode ser aferido pelas ouvidas dos delatores da Odebrecht, onde ele foi citado por 48 vezes. Cabe aqui uma pergunta: alguém já citou o nome da ex-presidente Dilma Rousseff nessas delações?

Seguindo com os números, 50% da população o considera autoritário. 65% acha que ele é falso. 75% o considera como um defensor dos mais ricos. 51% que ele faz um governo ruim ou péssimo. O mais importante viria logo em seguida, quando 63% da população pedem a sua renúncia e a convocação de eleições diretas. Fico imaginando o que ele pode estar pensando neste momento. Mas grave, como enfatizo sempre, é esses caras terem nos metidos nessa jabuticaba institucional sem aquela luz no fim do túnel, uma vez que eles nunca estiveram preocupados com os rumos do país, mas com os seus próprios interesses de grupo e a serviço das corporações financeiras. Um atoleiro institucional sem precedentes. 

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