sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Editorial: Ninguém te quer por aqui, Roberto Freire.


Resultado de imagem para roberto freire irritado, no Recife

Ontem o novo ministro da Cultura do Governo Temer, Roberto Freire(PPS) esteve no Palácio do Campo das Princesas, em cerimônia oficial, juntamente com várias autoridades do Estado e representantes do meio artístico e cultural. Sentia-se um desconforto de alguns presentes com aquela figura caricatural da cena política brasileira, um dos principais artífices do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, afastada de seu mandato legítimo através de urdiduras ilegais, perpetradas por um conjunto de forças bastante conhecido. Uma coisa que esses "homens honrados" precisam saber é que jamais terão sossego. E por uma razão muito simples:o caráter usurpador, anti-democrático do governo golpista. É certo, como diz o filósofo Gabriel Cohen, que dormimos o sono político que produziu o monstro, mas, por outro, lado, estamos no estágio daquele "despertar" incômodo, que nos impelem a externar uma "insatisfação" permanente contra esses "caras". 

Aqui na província, então, há um circo dos horrores instaurado. É um Bolsonaro dando opinião sobre a greve branca da Polícia Militar do Estado; um certo coronel que assume a segurança do Metrô, conhecido antes por sua truculência quando comandava o Batalhão de Choque; os impasses nas negociações entre o comando da PM e as lideranças da Associação de Cabos e Soldados; informes das Forças Armadas dando conta de que a violência diminuiu no Estado, numa conclusão no mínimo precipitada. Eita finalzinho de ano difícil, gente. O senhor Roberto Freire precisa entender que aqui no Estado ele não teria como evitar as naturais vaias e hostilidades. Desejasse alguma recepção calorosa, que procurasse a sua "turma", aquela da direita pernambucana, apoiadora do golpe parlamentar, que, por sinal, é bastante atuante no Estado. Não deve ter sido por acaso que Pernambuco foi tão contemporizado neste governo ilegítimo. 

Antes, não havia prestado muito atenção neste aspecto, mas os governos autoritários, usurpadores e ilegítimos carregam, em si, uma outra característica, a da degradação moral e ética dos seus membros e apoiadores. Mais um pouco - pouco mesmo - chegaremos ao paraíso dos cupinchas, do áulicos, dos servis, dos lambe-botas, dos bajuladores, dos dedo-duros e dos homens rapariga, como nos informava um jornalista do Estado da Paraíba. Até recentemente, o nosso presidente convidou sua base de apoio no Legislativo e, entre uns canapés e outros, informou que manterá seus auxiliares, cujos nomes estão envolvidos diretamente em malversação com recursos públicos, a começar pelo seu homem de confiança, Eliseu Padilha(PMDB), apontado por algumas delações premiadas, como o homem da mala. Um governante que toma essa atitude, assim como seus auxiliares, não podem esperar contar com o beneplácito das ruas.Seriam vaiados até numa fila de supermercado, quanto mais numa cerimônia com os artistas e produtores culturais, um dos principais "contornos" de resistência ao golpe no país, senhor Roberto Freire. 

O jornalista Josias de Souza foi muito feliz em sua analogia sobre o comportamento do presidente Michel Temer. Em sua coluna, num comentário, ele informou que o presidente Temer comporta-se como aquele paciente que esconde a radiografia - com o diagnóstico da corrupção - para não tratar da doença. O quadro é tão caótico que já existem umas figuras "impolutas" como dois senadores, um do DEM e um do ninho tucano, que consideram a sua saída inevitável. E olha que esse atores políticos foram vozes ativas nas urdiduras de caráter golpista. Estamos aqui nos referindo aos senadores Ronaldo Caiado(DEM) e o paraibano Cássio Cunha Lima(PSDB). 

Quem conhece muito bem o novo ministro da Cultura do Governo Michel Temer é o jornalista Sebastião Nery, que escreveu um artigo sobre o "embuste" político que ele representou deste sempre. Mesmo naquela época em que se apresentava como um dos atores políticos mais emblemáticos da "Esquerda Pernambucana". Se, como informava Sebastião Nery, naquela época ele já configurava esse "embuste", vocês bem podem imaginar em que este cidadão se transformou ao longo dos anos, no final da vida emprestando seu apoio a um governo com este perfil. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário