domingo, 11 de dezembro de 2016

Exército já ocupa as ruas do Recife.




Essa história de colocar o Exército nas ruas para assumir a segurança pública, não custa repetir, é um grave equívoco em qualquer circunstância, mais ainda nesses tempos bicudos, de jabuticaba institucional. Todos os argumentos que desaconselham a medida foram postos ontem, em editorial publicado aqui no blog, o que nos dispensariam de maiores explicações. O fato é que o Exército Brasileiro já se encontra nas ruas do Recife, com a presença estimada de 1.500 homens. Por enquanto, uma vez que o Governo Temer já teria sinalizado com a possibilidade de dobrar esse efetivo nos próximos dias. O problema parece ser apenas de logística, uma vez que politicamente tudo estaria devidamente equacionado. 

Independentemente dos indicativos de greve e da operação padrão da Polícia Militar do Estado, o fato é que Pernambuco já se encontrava numa tremenda encruzilhada no quesito segurança pública. Um outro equívoco seria supor que a presença do Exército nas ruas poderia superar aquela sensação de insegurança sentida pela população. Há verdadeiras quadrilhas especializadas atuando no Estado, com uma capacidade de operacionalidade que lhes facultam explodir os terminais bancários em cidades do interior e região metropolitana do Recife quase todos os dias. A questão é: O que o Exército Brasileiro poderia fazer em relação a isso? Há, aqui, falhas clamorosas de "inteligência". Cidades antes pacatas como a Princesa do Agreste, registraram mais de 200 CVLI - crimes violentos letais intencionais - apenas neste ano. Como se chegou a isso? 

Quando a poeira baixar - se é que ela vai baixar algum dia - seria o caso de as autoridades públicas estaduais responsáveis por esta área convocar todos os agentes públicos - e da sociedade civil - para retomarem o diálogo sobre este assunto, de preferência fazendo uma auto-crítica sobre os desarranjos do Pacto pela Vida, uma política pública de segurança que, apesar dos questionamentos pontuais, conseguiu alguns resultados importantes no enfrentamento deste problema. Quem acompanhava o PPV sabe que foi justamente em meados de 2013 que essa política de segurança começou a fazer água. 

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