terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Editorial: Redistribui, Cármen Lúcia.



Há um ditado popular que nos informa que a pressa é inimiga da perfeição. Nos manuais dos antigos cursos de datilografia existia uma lição que consistia em o alun@ escrever a palavra "CALMA" inúmeras vezes. Como se tratava de uma tarefa relativamente complexa para quem ainda não tinha o domínio dos teclados, normalmente, errava-se bastante. Minha professora costumava brincar, informando que os aluno@s nunca realizavam esta lição com a calma exigida. Este fato nos veio à mente por ocasião de algumas reações em torno da morte do ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato, em acidante aéreo, ocorrido recentemente, na cidade de Paraty. Apesar da não dar muita vazão às teorias conspiratórias - sobretudo se entendermos que existiam, de fato, causas naturais possíveis para o acidente - muitas coisas ainda precisam ser detidamente esclarecidas sobre o episódio, inclusive uma informação da própria Polícia Federal de que a aeronave estaria sendo monitorada. 

Se, por um lado, a pressa é inimiga da perfeição, alguns açodamentos protagonizados por alguns atores políticos - sobretudo aqueles de rabo preso na Operação Lava Jato - não deixam de ser relevadores. É preciso definir, com bastante clareza, as reais motivações dessa "pressa" na indicação de um novo relator da Operação Lava Jato. Até mesmo entidades da sociedade civil que estiveram moendo a engrenagem golpista - como é o caso da OAB - já se manifestaram a este respeito, exigindo que o relator substituto seja indicado o quanto antes, de preferência entre os membros do STF. O que se comenta nos bastidores é que a OAB parece emitir sinais de que deseja desembarcar dessa nau golpista. Antes tarde do que nunca. 

Penso que os operadores golpistas trabalham com algumas hipóteses. Uma delas é a de que seja indicado pelo presidente Michel Temer um novo ministro para aquela Corte, obviamente da confiança do grupo, e que o processo da Lava Lato passe às suas mãos. Esta é a hipótese preferencial. A segunda hipótese com a qual eles trabalham é que seja indicado para a relatoria da Operação Lava Jato alguém do próprio STF, mas que esta indicação recaia sobre um nome com o perfil daquele ministro que atua com postura mais política do que "técnica" e que não faz questão de esconder sua simpatia pelo grupo político que tramou a derrubada da presidente Dilma Rousseff. Apesar de o seu nome constar de uma lista de possíveis indicados, não acreditamos nessa hipótese. Seria muita "bandeira", sobretudo se considerarmos o fato de que ele continua com os seus encontros secretos com autoridades do Palácio do Jaburu. 

A expectativa da sociedade brasileira é a de que a ministra Cármen Lúcia redistribua a relatoria entre os membros do STF, uma vez que o nome a ser indicado pelo presidente Michel Temer já entra sob suspeição. Dentre os membros do STF, um nome que tenha perfil para agir de forma republicana, que não comprometa os rumos das investigações da Operação Laja Jato, sobretudo naquilo que ela remete para a "isenção" da apuração dos fatos envolvendo os atores políticos, seja lá de que quadrante político, minimizando as conclusões de que tal operação parece ter suas vitimas preferenciais. Somente assim as aparências serão salvas. Do contrário, teremos mais elementos para alimentar as teorias conspiratórias em torno do acidente envolvendo o ex-ministro Teori Zavascki.

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