terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Editorial: Em que momento as engrenagens do golpe institucional começaram a moer?



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Não deve ser uma tarefa das mais simples identificar o momento exato em que as engrenagens do golpe institucional começaram a moer contra o mandato da presidente Dilma Rousseff. Um observador desavisado poderia supor que a engrenagem começou a moer no segundo mandato da presidente, quando ela foi torpedeada por setores da mídia, acossada nas ruas pelos "coxinhas" e interditada política e economicamente através de manobras do parlamento. Dilma Rousseff, literalmente, sangrou em praça pública. Naqueles primeiros meses do segundo mandato, nada funcionava e ela ardia no fogueira, sem a mínima chance de uma reação, pois nem mesmo a justiça poderia ser feita, uma vez que igualmente comprometida. A salvação para os cientistas políticos e historiadores é que, não raro, nessas situações sempre aparece a figura de um "fio desencapado" ou de um "Garganta Profunda", que pode revelar detalhes da dinâmica desses processos. Ele não o faz por nenhuma motivação republicana ou por desencargo de consciência pesada, mas em razão das "circunstâncias". Afinal, política também é feita de circunstâncias. Yunes aparenta estar magoado com alguma coisa - talvez pelo fato de ter sido usado como mula por Padilha - e começou a falar um pouco mais do que a prudência golpista talvez recomendasse. 

Neste Carnaval aproveitei para por em dias as leituras. Estamos lendo um ótimo trabalho sobre os "Truques da Escrita", de Howard S. Becker, e havia em stand by um artigo do ex-ministro da Justiça, Eugênio Aragão, além de uma longa matéria de um site de jornalismo investigativo sobre o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Telo, Boulos. Chama a atenção no artigo de Aragão, uma espécie de reconstituição da engrenagem golpista que operou contra a presidente Dilma Rousseff ou, mais precisamente, o momento exato em que essa operação anti-democrática teria sido desencadeada. A julgar pelas observações contidas nesse artigo, pode-se concluir sobre a possibilidade concreta de um velho amigo de Temer, o senhor José Yunes, torna-se o nosso "Garganta Profunda". Através dele, sugere-se, por exemplo, que o golpe institucional contra a presidente Dilma Rousseff foi desencadeado ainda no seu primeiro mandato, com a arrecadação de verbas, através de uma construtora conhecida, com o propósito de comprar o voto de deputados para a eleição de Eduardo Cunha(PMDB)para a Presidência da Câmara, um dos momentos cruciais do processo golpista. 


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