segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Editorial: Por onde andam os panelaços ou os bonecos inflados vestidos de bandidos?


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Se alguém tiver o cuidado de verificar, vai observar que as redes sociais estão repletas das cobranças acima, sobretudo de pessoas comuns, sem entenderem o "esfriamento" das mobilações de ruas contra a corrupção, notadamente num momento em que a capital da República exala um cheiro de putrefação, em função das urdiduras orquestradas pela classe política com o intuito de se auto-protegeram das acusações, denúncias e processos envolvendo a Operação Lava Jato. Mas, eis que surge um artigo, publicado no jornal Folha de São Paulo, escrito pelo consagrado jornalista, Jânio de Freitas, criticando essa paralisia ou uma espécie de indignação seletiva dos "coxinhas", que recolheram suas bandeiras, suas campanhas ostensivas nas redes sociais e murcharam seus bonecos inflados, com roupas de presidiários, quase sempre com referências aos atores políticos ligados ao PT. 

São poucos os profissionais que possuem o privilégio de dizerem o que pensam. Há constrangimentos de toda a natureza que interferem em nossas opiniões. Comentado sobre este assunto, o músico e chargista Renato Aroeira apontou o jornalista - já falecido - Millôr Fernandes como um dos poucos que possuíam irrestrita liberdade para dizer - ou desenhar - o que queria. Isso não é só um dado relacionado à personalidade do indivíduo, mas sobretudo diz respeito, entre outras coisas, ao status que aquele indivíduo atinge no seu "campo" de atuação, numa referência ao conceito criado pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu. Por esse prisma, o jornalista Jânio de Freitas ocupa o topo da cadeia de capital simbólico no seu campo de atuação. O jornal Folha de São Paulo, por sua vez, utiliza-se de uma estratégia de atuação bastante interessante, creio, com o propósito de posicionar-se no mercado jornalístico. 

Faz uma média com a chamada "liberdade de expressão", mas, nas entrelinhas dos editoriais, não raro, emite suas opiniões conservadoras sobre a quadra política brasileira. Um leitor desavisado - daqueles que não leem seus editoriais - podem até embarcar nesse canto da sereia. Mas, em todo caso, ler opiniões como as do jornalista Jânio de Freitas, tão livres e tão bem escritas, não deixam de nos fornecer um certo alento. Neste artigo, Jânio faz referência, como disse, à omissão da população - sobretudo aquela que xingava Dilma nos estádios e se mobilizava na orla, aos domingos, com palavras de ordem contra o Governo da Coalizão Petista. O Governo Dilma caiu, através de uma manobra sórdida, e o prestígio do PT, hoje, está mais baixo do que poleiro de pato. Em cachorro acuado já não se bate. Tudo bem, mas o que dizer do silêncio sepulcral sobre os desmandos que estão ocorrendo na capital federal? Como observa Jânio, não há nada de concreto contra a ex-presidente Dilma Rousseff, o que faz dela, respeitado o direito à presunção de inocência, uma pessoa sem culpa, que sequer cometeu o delito das pedaladas fiscais. 

O mesmo talvez já não se possa dizer dos renans, dos jucás, dos padilhas, dos sarneis, dos cunhas, além de uma penca de lobos maus que andam nos infelicitando a vida.Somente no Senado Federal, existem dez senadores envolvidos em denúncias da Operação Lava Jato. Um detalhe curioso. Todos eles integram a poderosa Comissão de Constituição e Justiça que, para começar, é presidida por Edson Lobão(PMDB), que responde a dois inquéritos no STF sobre esta Operação. De fato, cabe a pergunta: Por onde andam os panelaços ou os bonecos inflados com roupas de presidiários? Até um boneco do presidente Michel Temer, que iria desfilar pelas ruas da cidade alta de Olinda, durante os festejos de carnaval, foi vetado. E olha que era um boneco em sua homenagem. 

O grande jogo político de Brasília hoje está relacionado as artimanhas da classe política no sentido de se auto-proteger-se das investigações da Operação Lava Jato. Como bem observou o jornalista Josias de Souza, depois das afirmações dos delatores da Construtura Odebrecht - que envolve 77 executivos e ex-executivos - o Brasil, na realidade, precisaria ser reinventado. O sistema político foi todo aprisionado pelas grandes corporações. Esse é um fenômeno relativamente recente nos regimes de democracia representativa como o nosso. Mas, como o Brasil é um país atípico, corporações como a Odebrecht já nos governam faz algum tempo, como afirmou o patriarca do clã, Emílio Odebrecht. É, o Brasil, de fato,não é um país para amadores. 

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