domingo, 5 de março de 2017

Editorial: Benedicto Júnior: O pavor dos tucanos.


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Escrevemos três editoriais sobre os recentes depoimentos da delação premiada dos ex-executivos da Construtora Odebrecht. Nem sempre publicamos aquilo que escrevemos, por prudência e uma profunda preocupação de não cometermos injustiças com quem quer que seja, mesmo que sejam nossos maiores adversários. Aquela lição que o senador tucano, Aécio Neves, cobra da imprensa brasileira em recentes episódios envolvendo o seu nome, nós já aprendemos desde longas datas, após o assassinato de reputação cometido contra o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Ibsen Pinheiro, massacrado através de uma campanha difamatória sórdida, movida por uma revista semanal, que publicou uma matéria caluniosa sobre o ele, mesmo tendo checado sua improcedência antes da edição sair às bancas. Em conversas mantidas entre este editor e Ibsen Pinheiro, fica evidente o dano dessa imoralidade, praticada ao sabor dos açodamentos e interesses escusos. 

Ibsen Pinheiro nunca tomou uma medida contra a revista. Resiliente, bastava para ele, a solidariedade de pessoas como o editor do blog e outros tantos, que entenderam o drama ao qual ele foi submetido. No caso de Ibsen Pinheiro, foi cometida uma clamorosa injustiça, algo inventado, "plantado" para atingi-lo, envolvendo-o no Escândalo dos Anões do Orçamento. Até a revista, depois de algum tempo, admitiu o equívoco, mas já era tarde demais. Além de ter sido afastado da Presidência da Câmara dos Deputados, Ibsen Pinheiro viu seu nome achincalhado, acusado de algo que nunca cometeu. No caso do senador Aécio Neves(PSDB), existe uma enorme diferença, de onde não se entende esta reação dura dos tucanos contra setores da imprensa brasileira. 

O mais interessante disso é que a fúria é dirigida exatamente contra aqueles setores da imprensa que estiveram diretamente envolvidos nas urdiduras midiáticas golpistas. Que contradição, não? Mas as contradições não terminam por aqui. Em certo momento, como lembrou o jornalista Josias de Souza, os tucanos estão se parecendo com militantes petistas enrustidos, reclamando contra a perseguição da imprensa golpista. Se, por um lado, Ibsen Pinheiro teria todas as razões do mundo para mover ações reparadoras contra os setores da imprensa que o caluniaram deliberadamente, não nos parece que o mesmo raciocínio possa ser aplicado ao tucano, que contou, inclusive, nessa sandice, com o apoio do grão-tucano Fernando Henrique Cardoso. 

No caso do "pavor" dos tucanos, ele tem nome, DNA e endereço certo. Também é pouco provável que esteja mentido. Trata-se de Benedicto Júnior, um ex-executivo da empreiteira Odebrecht, que admitiu ter negociado com o senador o rapasse de R$ 9 milhões para campanhas de afilhados do tucano. Um detalhe: por fora. Salvo melhor juízo, Marcelo Odebrecht, o herdeiro do grupo, também teria mencionado o fato em seu depoimento, o que levou os advogados dos tucano a pedir a exclusão do depoimento que faz referencia ao senador. Na realidade, os advogados do senador Aécio Neves deveria tê-lo alertado sobre  o perigo implícito de se opontar nos outros os defeitos que possuímos. 

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