segunda-feira, 13 de março de 2017

Editorial: Reduto paulista dos tucanos estimula candidatura de João Dória Jr.


Resultado de imagem para joão dória/geraldo alckmin

Hoje parece não haver mais dúvida de que o prefeito eleito de São Paulo, João Dória Jr, não passa mesmo de um grande embuste. Mas, como na política nacional estamos vivendo um momento que pode ser traduzido como de mediocridade e "endireitamento", não surpreende que figuras como Dória estejam em ascendência, o mesmo ocorrendo, por exemplo, com Jair Bolsonaro, que vem demonstrando uma ascendência meteórica nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República, em 2018. Em eleições anteriores, ainda poderíamos falar numa espécie de "Fôlego Ético", que se constituía em filtros de candidatos com este perfil, mas, hoje, talvez nem isso. Um candidato "sujo" ou "inconsequente" aparecia na frente em todas as pesquisas iniciais, mas, lá para o final, o eleitor parecia se dar conta da absoluta inconveniência de alçá-lo ao cargo público que ele almejava. Concluíam tratar-se de uma temeridade.Os tempos políticos mudaram e mudaram para pior. Infelizmente. 

Neste contexto político não nos surpreendem as especulações em torno da uma possível candidatura do empresário João Dória ao Palácio dos Bandeirantes, nas eleições de 2018, compondo uma espécie de dobradinha à distância com o governador Geraldo Alckmin(PSDB), que concorre à Presidência da República. Desde que assumiu a prefeitura paulista, Dória Jr. se desdobra em performances midiáticas, como um espécie de Jânio Quadros dos anos 2000, claro, guardadas as substantivas diferenças. O reduto tucano paulista está muito bem estruturado e protegido. Protegido, aliás, de outras aves tucanas que, porventura, desejam fazer ninho naquelas paragens. Como afirmamos em outros editoriais, o governador Geraldo Alckmin montou ali uma espécie de dispositivo político, uma trincheira inviolável, sob seu comando irrestrito. No seu ninho bem emplumado, pombinhas socialistas até são bem recebidas. Diferentemente dos tucanos das alterosas. 

Convém sempre frisar que, apesar de não participar assim com muita frequência dos canapés de Brasília - como outras aves tucanas que, inclusive frequenta a cozinha do Palácio da Planalto - o governador Geraldo Alckimin montou um "dispositivo" político que hoje o habilita a disputar a Presidência da República, com ou sem o aval dos tucanos de bico-fino. Em última análise, ele acomoda-se com as pombinhas socialistas, com as quais vem mantendo um bom trânsito desde à época em que o ex-governador Eduardo Campos ainda era vivo. Sua candidatura, portanto, não depende dos humores dos grãos-tucanos. Dentre os postulantes do partido, Geraldo Alckmin é aquele que reúne maior autonomia de voo. Ele deixou isso claro num cafezinho recente, em encontro com o presidente Michel Temer(PMDB), no Palácio do Planalto, onde foi cobrar a fatura de acordos anteriormente mantidos, por ocasião das articulação - de corte nada republicanas - no sentido de afastar a presidente Dilma Rousseff da Presidência da República.

Com o prefeito João Dória, ele forma aquilo que os mais velhos chamavam de a corda e a caneca.Uma candidatura de João Dória ao Palácio Bandeirantes coaduna-se perfeitamente com o esteio do cinturão político-eleitoral que o governador montou para viabilizar seu projeto presidencial. Alckmin conseguiu o que, em épocas passadas, também foi tentado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem sucesso. No caso de Lula, era um projeto interessante porque, entre outras coisas, previa-se a renovação dos quadros petistas, cujos principais caciques haviam sido defenestrados em denúncias de malversação de recursos públicos. Quem acompanha os passos de Lula, percebe que ele já se movimenta como provável candidato, mas as circunstâncias políticas do momento não são tão favoráveis como em momentos anteriores. Além dos problemas jurídicos que pesam contra ele, a onda política hoje segue um curso conservador aqui e alhures. Eis aqui o "rabo de foguete" que explica essa curva ascendente nas pesquisas de intenção de voto de um nome como Bolsonaro.   

Nenhum comentário:

Postar um comentário