quarta-feira, 26 de abril de 2017

Editorial: cotidiano do mundo político


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Por vezes, somente o tempo poderá dizer se os atores políticos tomaram posições acertadas ou cometeram erros de avaliação. Ontem publicamos aqui no blog um editorial onde comentávamos sobre a possibilidade de o ex-ministro Antonio Palocci entrar no programa de delação premiada da Lava Jato, depois, claro, de cumprido aqueles ritos conhecidos. Conforme observamos, deve haver sim o interesse da força tarefa que trabalha na Operação Lava Jato em conhecer o teor das declarações do ex-ministro, um homem dos corredores do poder nos governos da coalizão petista. Frio e metódico, pelo visto, Palocci também era um ator político bastante organizado, daqueles que mantinham sua agenda em ordem, com detalhes de suas articulações na máquina pública, envolvendo agentes públicos e privados. 

Um conhecido colunista de política assegura que o ex-ministro teria tomado essa decisão depois de aconselhado na carceragem da Polícia Federal por delatores como Marcelo Odebrecht e Léo Pinheiro. Segundo nossas fontes no PT, de fato, Palocci estaria bastante ressentido com os antigos companheiros, que o teriam abandonado. Convém tomar cuidados com os ressentidos, sobretudo se esse ressentido é alguém como o ex-ministro, que conhece o "azeite" da máquina. Uma simples agenda pode trazer revelações comprometedoras, como ocorreu recentemente no Maranhão, quando a Polícia Civil daquele Estado prendeu vários figurões da política local com dados da agenda de um blogueiro. Ao propor uma possível delação premiada ao juiz Sérgio Moro, quem teve o cuidado de observar, Palocci manuseava constantemente um calhamaço de papéis com anotações. Dizem que o seu alvo principal seria o Lula. Difícil predizer, mas é um fato que ele sabe que não escapará da clava forte da justiça e aí, nessas circunstâncias, sem um bote salva-vida, não surpreende a sua atitude em dar um abraço dos afogados. 

Repercutiu bastante nas redes sociais uma posição assumida pelo governador do Estado, Paulo Câmara(PSB), em não acompanhar uma decisão da agremiação socialista em fechar questão contra a reforma trabalhista que tramita no Legislativo. A relação dessa agremiação política com o Governo Michel Temer é bastante confusa, errática. Marcha unida em algumas questões, como no caso da deposição do Governo Dilma Rousseff, mas agora, possivelmente em razão do desgaste popular das medidas que estão sendo adotadas, seus integrantes não passam por um momento de consciência pesada, mas, como qualquer ator político, preocupam-se com o seu futuro. Aqui em Pernambuco, por exemplo, este futuro pode nem mesmo estar atrelado ao governador Paulo Câmara, que vive um momento bastante delicado, amargando índices altíssimos de impopularidade. Depois, diante dos compromissos de preservar o espólio político do ex-governador, não é improvável que o núcleo mais político da agremiação sofra algumas baixas nas eleições vindouras. Danilo Cabral(PSB) é um desses atores que demonstram bastante preocupação com o seu futuro político, evitando queimar-se com suas bases. 

A posição do governador Paulo Câmara surpreendeu a muita gente, sobretudo em função, como já falei, da precarização das relações de trabalho que essa reforma traz no seu bojo, cujos ônus a serem pagos não ficará barato aos nossos governantes ilegítimos ou de turno. Não se sabe muito bem o que o governador pernambucano desejava com esta posição ou quem ele quis contemporizar. Talvez preocupação com alguma parceria do governo Temer com o Estado de Pernambuco. Depois, numa demonstração da dubiedade dessa agremiação política, uma decisão da cúpula deixaria os parlamentares livres para votarem conforme as suas consciência recomendassem. Tanto é assim que, se os leitores ficaram atentos, perceberão que há nome do partido entre os que votaram pela aprovação da reforma, assim como ficou cravado que o deputado Danilo Cabral(PSB) votou contra. Há quem tenha observado na decisão do governador uma espécie de retaliação contra o senador Fernando Bezerra Coelho(PSB), cujo filho, Fernando Filho, é ministro das Minas e Energia. Como se sabe, a decisão de FBC em integrar o governo Temer foi um movimento muito mais pessoal do que partidário, o que deixou algumas arestas a serem devidamente aparadas entre os socialistas da província. 

Ainda aqui no Estado, faço ainda o registro da posição lúcida da Deputada Estadual Terezinha Nunes(PSDB), que recomenda que o Governo e a Oposição deixem de "arengar" em torno do problema da segurança pública no Estado e baixem as armas no sentido de encontrarem uma solução em conjunto para o problema. Posição sensata da deputada, bastante convergente com o editorial que escrevemos no dia de ontem sobre o assunto, publicada aqui no blog. Como ela sugere o diálogo, talvez fosse o caso de retomarmos os seminários e debates coletivos, envolvendo inúmeros atores, que ocorreram um pouco antes da materialidade do Pacto pela Vida, e que serviram de subsídios para a concepção dessa política de segurança. A "cultura da violência" voltou a recrudescer no Estado em níveis alarmantes. Medidas urgentes precisam ser tomadas, de preferência com a cumplicidade dos atores da sociedade civil organizada, da academia, das instituições de pesquisas, dos movimentos sociais, todos interessados em que essas índices possam voltar a patamares aceitáveis. Valeu, Deputada Terezinha Nunes(PSDB). 

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