quinta-feira, 6 de abril de 2017

Editorial: Lula: não importa a cor do voto, desde que ele caia na urna.


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Havia um vice-governador aqui no Estado de Pernambuco, oriundo das oligarquias açucareiras, que foi eleito na chapa de Miguel Arraes, e tornou-se confiável aos militares, nos idos do golpe militar de 1964, assumindo, de fato, o Governo do Estado, com a deposição do titular. Arraes, como se sabe, costumava celebrar essas alianças com setores políticos conservadores. Seu nome era Paulo Guerra e é atribuída a ele uma frase que tornou-se célebre no mundo político: Em política não existem nunca nem jamais. Não sei se pelo fato de ele ter assumido o governo criou-se algum tipo de aresta com a família do ex-governador Miguel Arraes. O dado concreto é que, com a "eduardolização da política pernambucana", Paulo Guerra ainda receberia uma homenagem, batizando um dos nossos principais hospital públicos. Um dos nossos hábitos nas primeiras horas da manhã é o de acompanhar o noticiário dos jornais, à procura de informações que possam ser publicadas no blog, através desses editoriais cotidianos ou outras postagens. 

Os convivas do PMDB que foram ao jantar oferecido pela senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) ainda devem estar com o gosto da fritada de aratu na boca. O crustáceo é, de fato, uma delícia e é improvável qualquer indigestão no dia seguinte. Indigestão mesmo somente a política, uma vez que a fina flor do partido costura uma possível aliança com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acreditávamos improvável até então. Mas, lembrando Paulo Guerra, em política não existem nunca nem jamais. Talvez pudéssemos acrescentar aqui uma outra frase, desta vez de uma raposa da política mineira, Magalhães Pinto, que sempre comparava o cenário político às nuvens, que mudavam com certa frequência. Havíamos informado por aqui, inclusive, que o circuito petista havia se fechado politicamente, em razão das encrencas de Lula com a força tarefa da Lava Jato. Há, ali, claramente, uma tendência a uma condenação do ex-presidente, ao ponto de levar um agente público a sentar-se ao lado de um computador, produzir um power-point ficcional, baseados em suas convicções pessoais, com o propósito de pedir a condenação de alguém, constituindo o procedimento uma verdadeira excrescência jurídica. 

Mas, a princípio, o problema não seria apenas jurídico, mas político, uma vez que, reeditar essas alianças seria um filme com final já conhecido. Construir um consenso de uma candidatura de Lula pela esquerda não seria uma tarefa das mais simples, haja vista sua histórica divisão. O PSOL, por exemplo, que surge no horizonte político como aquele PT dos anos 80, já afirmou que não apoiaria uma candidatura de Lula. Recompor-se com a direita, como disse, a princípio, também seria impensável, uma vez que eles estão no poder, retomaram o controle da situação, inclusive apeando o PT do jogo. Dentro dessas hostes políticas já surgem até nomes conhecidos, com aquele perfil de direita bem típico, que hoje fazem sucesso junto ao eleitorado, como o prefeito de São Paulo, João Dória Jr, que começa a incomodar os planos de uma ave emplumado do ninho tucano o governador Geraldo Alckmin, seu padrinho político. 

Mas, a política muda como as nuvens, como dizia aquela raposa mineira. O fato concreto é que os morubixabas do PMDB já perceberam que as medidas amargas dessas reformas terão reflexos nas eleições de 2018, onde eles terão que subir em palanques para pedir o voto dos eleitores. Caso seus projetos políticos não sejam bem-sucedidos, perderão o foro privilegiado e terão que enfrentar aquelas tais audiências na 13º Vara da Justiça Federal, no Paraná, presididas por um juiz conhecido. Não sou advogado, mas percebe-se que esses caciques não estão preocupados apenas com os "incômodos", mas se deram conta que, ao perder o foro privilegiado, suas chances de condenação ampliam-se sensivelmente. Há quem aposte no fato de que a homologação de uma possível candidatura Lula não seria juridicamente impedida pelos trâmites da Operação Lava Jato, tornando-o inelegível, como um ficha-suja. Não haveria tempo para isso até às convenções partidárias realizadas lá pelo meio do ano. Presente ao jantar oferecido pela senadora Kátia Abreu, o senador Romero Jucá, de acordo com o jornalista Josias de Souza, teria sido uma vez dissonante do grupo. Acha que Lula se tornará inelegível. 

O que nos espanta, na realidade, é uma possível costura em torno de uma reedição dessa famigerada aliança, ou conciliação de classe, arquitetada pelo PT em tempos passados, cujo desfecho todos conhecem. Assim como aquele garoto birrento que, quando perde o jogo, pede para sair e desmancha tudo, nossa elite não tem o menor respeito pela democracia. Um dos principais artífices dessa conciliação de classe dentro do PT foi o ex-ministro José Dirceu que amarga o cumprimento de uma prisão, com dezenas de anos de condenação. Foi ele quem aparou as arestas dentro do partido para a composição com setores da elite política e econômica conservadora do país. O resultado todos conhecem: em pouquíssimo tempo, todas as conquistas sociais e de direitos da Era Lula/Dilma foram suprimidas, o país estagnou no IDH, perpetrou-se um retrocesso tremendo para as classes trabalhadoras e cogita-se uma reforma draconiana da previdência social. Talvez seja por isso que muitos suspeitem das boas intenções de Lula. Aqui não se aplica a máxima de que no caminho de volta ninguém se perde.É muito pragmatismo do Lula, de um lado, e, de outro, muita recepção da banca.Dá para desconfiar. 

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