sábado, 15 de abril de 2017

Editorial: Novilhos, Viagras e Jujubas. Os pernambucanos na lista da Odebrecht.



De acordo com o que fomos informados, o presidente Michel Temer(PMDB) irá oferecer um daqueles jantares para os deputados de sua base aliada. Há uma expectativa de que o jantar seja esvaziado, em razão do momento político delicado que estamos vivendo, depois da divulgação das listas e áudios dos delatores e herdeiros da Construtora Odebrecht. Haverá votações importantes pela frente e Temer sabe que precisa solenemente do apoio de sua base aliada, mas é nítida a dispersão do rebanho, cada qual muito confuso quanto ao seu futuro, o que dificulta seriamente um trabalho de rearticulação política. Há quem aposte que poucos convivas irão ao encontro ou, quando muito, o tal jantar fique com a aparência de um abraço dos afogados. 

Depois da divulgação dessas listas e áudios, o sistema político brasileiro entrou numa espécie de pane. Aqui pela província pernambucana, muitos são os encrencados, cada qual com os seus apelidos curiosos: Novilho, numa referência a um senador da República; Viagra, que se trata de um ex-governador e Jujuba, que, segundo comenta-se, refere-se a um dos nossos ministros de Estado. Não tenho a menor dúvida de que se o folclorista da Fundação Joaquim Nabuco, Mário Souto Maior, ainda fosse vivo, estaria se debruçando sobre essa lista para a produção de mais um de seus livros. Há alguns apelidos curiosíssimos, que ficam muito bem no acervo do nosso folclore político. Convém aqui, entretanto, um esforço de ponderação necessário para não jogar na vala comum todos os nomes ali citados. Não acredito que o senhor Paulo Rubem Santiago, recentemente filiado ao PSOL, esteja envolvido com financiamento irregular de campanhas políticas. É uma de nossas reservas morais neste campo.

Talvez o fato alvissareiro mesmo tenha sido as revelações em torno de um ex-governador, enredado até a medula em denúncias de malversação de recursos públicos,cujo o staff político costuma perseguir pessoas inocentes, Eis aqui um ator político que, pelo o andar da carruagem, deixaria de queixo caído o ex-governador Sérgio Cabral, hoje preso, mas que montou um poderosíssimo esquema de malversação de recursos públicos na máquina pública carioca, que movimentou milhões, aqui e alhures, quando ele exercia o cargo de chefe do Executivo. Sérgio tem se mantido bastante sereno, se dedicado a leituras enquanto cumpre sua prisão preventiva. As provas são tão contundentes contra ele, que não vejo como os seus advogados possam fazer muita coisa em sua defesa. Dizem que o seu pai, o jornalista Sérgio Cabral Santos, se encontra recluso, em estado de depressão crônica. Não é para menos.

Todos os envolvidos terão o direito inalienável à sua defesa, possivelmente muito bem constituída por advogados conceituados. Alguns deles estão sugerindo até mesmo processar os delatores da Construtora Odebrecht. Observo, no entanto, que, se, de fato, houver alguma prova do delito, os executivos e ex-executivos da empreiteira, certamente, terão as provas sobre o que estão afirmando. Um deles, por exemplo, na medida em que falava, lia as informações num notebook, descendo às minúcias do detalhamento das propinas, com datas, locais, pessoas, quantias e demais detalhes. Um bom indicador de que eles estão falando a verdade são as explicações esfarrapadas dos acusados, quase sempre naquela condição de não negar os encontros, mas as reais motivações do mesmos. Isso nos fez lembrar de uma denúncia de um delator contra um ex-tesoureiro do PT. Ele havia informado que se encontrava com o petista em um determinado hotel. O ex-tesoureiro não negou, mas disse que esses encontros eram sociais. Na condição de sua esposa, eu ficaria desconfiado. 

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