domingo, 16 de abril de 2017

Editorial: O direito ao dissenso



No dia de ontem, publicamos aqui no blog mais um artigo instigante e republicano do professor da UFPE e cientista político Michel Zaidan Filho. Neste artigo, Michel invoca o direito ao dissenso, solenemente vilipendiado aqui na província, o que interdita o exercício legítimo à critica e ao tão sadio debate de ideias. Infelizmente, Pernambuco é uma província muito mal acostumada com a servidão e com o cupinchismo. As críticas são respondidas com processos, com agressões e com campanhas sistemáticas de calúnia e difamação que, num ambiente como este, "pegam" feito visgo de jaca. Aqui acontece algumas coisas trágicas e, ao mesmo tempo, engraçadas. Um serviçal das oligarquias locais inventa e "planta" que o indivíduo tem duas bilolas e os outros saem reproduzindo - como se verdade fosse - sem se dar conta de que nunca "dormiu" com o sujeito, tampouco tomou algum banho de chafariz com ele. O pior ainda não é isso. É que até gente que "dormiu" com o cara passa a acreditar nessas sandices. Aqui vale uma observação do escritor Raimundo Carrero, que, outro dia, afirmou que na província quem começa a aparecer ou produzir vai para a "degola". 

Peço perdão aos leitores por essas digressões, mas é que o cenário político pernambucano amanheceu no dia de hoje bastante nublado, coadunante com as observações do professor Michel Zaidan Filho. O líder do Governo Paulo Câmara na Assembléia Legislativa do Estado, Deputado Estadual Isaltino Nascimento, em matéria publicada num blog local, desanca um dos mais ferrenhos opositores ao Governo, o também Deputado Estadual, Sílvio Costa Filho. Ali é destilado um "veneno" contra o membro da oposição, apontando algumas possíveis irregularidades de uma época em que o jovem deputado exerceu funções na máquina executiva estadual e até na Casa Legislativa. Parece-nos haver aqui um esforço descomunal em não se responder às críticas de uma maneira mais construtiva, admitindo-se os equívocos ou problemas e reafirmando-se o compromisso de assimilá-las, redirecionado os rumos da gestão. 

Infelizmente, não é bem assim que as coisas funcionam numa província chamada Pernambuco. No dia de hoje também me deparo com uma espécie de desabafo da amiga Noélia Brito, publicado nas redes sociais, onde ela invoca as possíveis agressões descabidas contra ela, dirigidas por membros do PSOL local. Não vou aqui entrar no mérito dessa questão porque não tenho acompanhado o assunto de forma mais objetiva, o que nos permitiriam construir uma opinião mais responsável e consistente. Depois da idade - e a experiência - não costumamos "emprenhar" pelo ouvido. De qualquer maneira, parece-nos ser bastante complicada essa relação da Noélia Brito com alguns dirigentes da agremiação. E também aqui se aplica a máxima de que as críticas se respondem com argumentos, não com agressões. 

Neste domingo de páscoa, nem o Lula escapou dos seus Judas Iscariotes. As revelações do patriarca do Grupo Odebrecht, Emílio Odebrecht, acerca de suas relações com o casal presidencial Lula/Dilma são, de fato, comprometedoras na medida em que deixam transparecer alguns componentes pouco republicanos, como a prestação de serviços de cortesia de um mega-empresário à família do ex-presidente. Não entro aqui no mérito da propriedade do sítio de Atibaia, o tríplex do Guarujá - a justiça terá que avançar bastante sobre as ilações produzidas até o momento sobre o assunto - mas é pouco provável que Emílio esteja mentindo sobre os "padrões" de relações entre ambos. São esses padrões de relação que começam a derreter a imagem pública do líder petista. Mesadas ao irmão de Lula? Palestras arranjadas como forma de remunerá-lo? compra de terreno para o Instituto Lula? Reforma do sítio do amigo? Lula não soube separar a coisa pública da vida privada. Infelizmente. 

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