domingo, 2 de abril de 2017

Editorial: O plano de contingência de Lula


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Como todos sabem, Lula deve depor em audiência convocada para o início do mês de maio, na 13° Vara da Justiça Federal, em Curitiba, na presença do juiz Sérgio Moro, no curso das investigações da Operação Lava Jato. Há uma grande expectativa sobre o que deverá ocorrer na capital do Paraná, naquele dia, já que os apoiadores do ex-presidente, aparentemente, não estão de braços cruzados. Essas manifestações de solidariedade ao ex-presidente seriam naturais, em razão das políticas públicas adotadas durante o seu governo, de cunho inclusivo, fortalecendo o Estado de bem-estar social, hoje completamente desmontado em apenas algumas canetadas e leis recentemente aprovadas, como a da terceirização, que se traduz como um verdadeiro desmonte da CLT, que era a Constituição dos trabalhadores. Comentei pelas redes sociais que a Lei do Ventre Livre - tão estudada em nossa infância - acabava de ser revogada, pois a terceirização precarizará drasticamente as relações de trabalho para as nossas futuras gerações. 

Mas, agora, surge uma novidade nesse front. Uma revista de circulação nacional traz em sua última edição uma espécie de plano de contingência montado em torno do ex-presidente Lula, prevendo-se o momento de uma eventual prisão pela Polícia Federal, determinada pela justiça. Já há até um nome para este plano, Operação Tamoios, que prevê a utilização de um grupo de WhatsApp, com alguns números de lideranças da agremiação partidária e movimentos sociais, que acionarão o "dispositivo" assim que esses fatos se confirmem. Com a condução coercitiva imposta ao blogueiro Guimarães, do Blog da Cidadania, e a intimação de Roberto Ponciano, por suposto crime de injúria, ao tecer alguns comentários sobre a Operação Lava Jato, entramos, definitivamente, numa nova fase dessa operação. Ela começa a atingir atores que não estão envolvidos diretamente com a malversação ou beneficiamento indevido de recursos públicos. Ontem, pelas redes sociais, o editor do blog manteve contato com Ponciano, para entender melhor do que ele está sendo acusado. Já temos esse material em mãos. Em breve, informaremos os nossos leitores. 

Logo perderemos a conta do número de pessoas que estão sendo acionados pela justiça em razão de delito de opinião, numa prova insofismável de que estamos sob um Estado de Exceção. A "normalidade democrática" não passa de um jogo de cena, muito em ensaiado por aqueles que não possuem o menor respeito pelas regras de um Estado Democrático de Direito. Num país onde surge alguém para afirmar que o Brasil deve muito ao senhor Eduardo Cunha, preso no Paraná, acusado de locupletar-se de recursos públicos desviados, o que não seria possível? Estamos pensado em tratar deste assunto com mais profundidade, construindo uma espécie de "Memorial do Arbítrio", tratando de cada caso em particular. Este país tem uma memória muito curta. 

Quando foi decretada a condução coercitiva de Lula pela primeira vez - segundo dizem para "protegê-lo" - ocorreram alguns incidentes até hoje pouco esclarecidos. Circulou a informação de que a intenção, na realidade, era a de conduzir o ex-presidente para ser ouvido na Justiça Federal do Paraná, mais precisamente, na 13° Vara. No final, o depoimento de Lula foi prestado aos delegados da PF, ali mesmo no aeroporto, evitando-se maiores consequências. Apesar desses momentos de anestesia vivido pelos brasileiros - criticados pelos paraguaios ao afirmarem que "nós não somos brasileiros" - não duvido que o petista possa levar uma legião de admiradores à nossa querida Curitiba no dia de sua audiência. A rigor, Lula não está fugindo de nada e não tem o menor problema em explicar-se. Não recusaria nenhum convite da justiça com este propósito. A grande questão é que não querem simplesmente ouvi-lo.  

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