sábado, 1 de abril de 2017

Editorial: Temer por um fio?


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Ontem foi publicada uma pesquisa do IBOPE onde a imagem e a gestão do presidente Michel Temer foi exposta com uma radiografia nada animadora para o ocupante do Palácio do Planalto. Nenhum dos dados apresentados sugerem alguma expectativa positiva para o governo. Apenas 10% de aprovação, 40% acreditam que teria sido melhor continuar com Dilma Rousseff e 79% não confiam no governo, o que não se traduz em nenhuma novidade, dada as encrencas em que estão metidos seus ministros e auxiliares. Se é verdade que a gestão de Dilma Rousseff tomou algumas medidas equivocadas que nos conduziram a este terreno movediço da economia, a expectativa era a de que este governo que nasceu sob o signo da ilegitimidade, alardeado como restaurador, pudesse encontrar uma saída a curto prazo, sob pena de igualmente ser decapitado pela banca, que já esboça um certo mau-humor com os pífios resultados obtidos até o momento.

As frentes de reticências ao Governo Temer podem ser observadas em lugares "estratégicos", ou seja, naqueles locus de poder que podem definir o seu destino político. A população continua anestesiada. Ainda não acordou do sono político que produziu o "monstro". Creio que isso não será por muito tempo, uma vez que seu último suspiro deve ser dado na arena de luta, nas ruas, brigando por seus direitos. Não lhes resta outra alternativa e, cedo ou tarde, a população será despertada dessa letargia. Pagamos um preço muito alto por não acreditarmos na possibilidade de algum retrocesso político no país. Nos acostumamos muito mal com o simulacro de democracia que tínhamos. Como advertia o sociólogo francês Claude Leffort, uma democracia que não se amplia, tende a morrer de inanição. Mas, já pedindo perdão aos leitores pela digressão, o que gostaríamos de enfatizar é que o Governo Temer começa a arruinar-se naqueles setores que o ajudaram a erguer-ser, por assim dizer. 

A emissora do plim plim já foi mais condescendente com o Governo Temer. Lembram vocês das grandes análises econômicas dos seus comentaristas argumentando que os problemas da economia brasileira era consequência de uma crise mundial ou mesmo reflexo da má-gestão petista? Essa opinião parece ter mudado substantivamente nos últimos dias. No Legislativo, abre-se uma rusga com o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros(PMDB). A votação da Reforma da Previdência, por sua vez, de tão impopular, tem provocado alguma resistência de parlamentares, que sabem que o seu voto - a favor ou contra - terá alguma consequência para as suas carreiras políticas. Esta classe política já está com o prestígio mais baixo do que poleiro de pato. O conceito dos partidos e dos políticos brasileiros chegou ao fundo do poço. Eles sabem que precisam subir em palanques para pedir votos aos seus eleitores em futuras eleições. Essa proposta de Reforma da Previdência é draconiana. Um desastre. 

Outro grande problema de Michel Temer é o aspecto legal, mas acredito que, por aqui, as coisas possam se ajeitar. Afinal, essas últimas tecituras políticas no país tiveram um amparo do poder judiciário. Apenas na exceção de que a adoção de uma medida dura possa favorecer outros grupos políticos em disputa interna - mais precisamente os tucanos - Michel Temer não deverá enfrentar grandes problemas por aqui. O TSE deverá orientar-se pela lei, rejeitando as suas contas de campanhas e a da presidente Dilma Rousseff, mas as inevitáveis protelações de julgamento e recursos impetrados deverão garantir o término do mandato do presidente Michel Temer.  Talvez as ruas despertem do sono político. Aí o bicho pega!


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