quarta-feira, 19 de abril de 2017

Editorial:O abraço dos afogados para a Reforma da Previdência


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O presidente Michel Temer(PMDB) interrompeu o feriado da Páscoa para tratar de assuntos políticos com os seus principais assessores. Na pauta, naturalmente ,as reformas trabalhista e da previdência, que aguardam votação no Legislativo. Temer enfrenta uma rebelião sem precedentes em sua base de apoio. O país convive com um verdadeiro tsunami político depois das revelações dos áudios dos delatores da Construtora Odebrecht. Talvez em nenhum outro momento político recente a expressão abraço de afogados tenha sido tão atinente ao cenário político nacional. Os políticos estão preocupados com os reflexos dessas medidas em relação às próximas eleições e, por outro lado, os negociadores do governo Temer estão com o prestígio mais sujo do que pau de galinheiro. Na realidade, uma penca de ministros desse governo já deveriam ter sido afastados, como se dizia antigamente, a bem do serviço público. Os comentários dão conta de que políticos e lideranças partidárias estão fugindo dos articuladores governistas como o diabo foge da cruz. Alguns desses articuladores, em razão do envolvimento nas denúncias  da Operação Lava Jato, perderam completamente a condição de negociar alguma coisa, quanto mais alguma coisa tão anti-popular como a Reforma da Previdência.

Até mesmo num jantar oferecido pelo presidente no Palácio do Planalto, os seus convivas tiveram que tomar cafe frio. Um governo que nunca teve legitimidade popular, agora enfrenta um grave problema com a sua base de sustentação. Aqui pela província pernambucana, percebe-se o esboço de uma resistência de atores políticos ligados ao PSB, como Danilo Cabral e Tadeu Alencar, relação à posição do partido sobre o assunto. O grupo político do PSB já enfrenta problemas demais para preservarem seus mandatos nas eleições de 2018. Com a inserção no jogo do possível herdeiro do espólio político do ex-governador Eduardo Campos, João Campos(PSB), as coisas se complicam ainda mais para este grupo. Isso sem falar nas amabilidades entre o governador e o Deputado Federal Jarbas Vasconcelos(PMDB), que deseja preservar o seu espaço político e o dos seus correligionários. Este é o principal motivo das desavenças políticas: a luta por "redutos". Políticos que disputam votos nos mesmos redutos, acabam inexoravelmente rompidos. É apenas uma questão de tempo. O tempo de deixar de ser reeleito, por exemplo.

Estamos torcendo que essas reformas não sejam aprovadas, em razão do seu caráter pernicioso aos interesses dos trabalhadores. Mesmo com os ajustes feitos na Reforma da Previdência, ainda assim, ela permanece draconiana quando se pensa na subtração de direitos. Quando se pensa nos ajustes neoliberais que animam as ações desse governo, a Reforma da Previdência é a mãe de todas as reformas. Uma derrota aqui poderá significar o desmonte dessa política, apresentada como "solução" para os graves problemas de nossa economia. A esta altura do campeonato, creio, o governo Temer não deve ter certeza sobre o seu êxito na aprovação dessa reforma. A incerteza ronda as suas noite no Palácio do Planalto, que se diz mal-assombrado por ex-presidentes que, mesmo num outro plano, ainda sentem a picada da mosca azul do poder. O que será que assombra Temer? Dizem que ele já estaria de malas prontas para voltar ao Jaburu.

Cogita-se uma greve geral para o dia 28 de abril. Em razão dos graves problemas de desmobilização da população, difícil mesmo prever o seu alcance. Como diz o filósofo Gabriel Cohen, dormimos o sono que produziu o monstro e ainda temos dificuldades de conviver com este pesadelo. Para este ano, promete-se um embate decisivo entre as forças populares do campo progressistas e os grupos afinados com o retrocesso político e a supressão de direitos, dispostos a colocarem no lixo da história o Estado de bem-estar social que, entre nós, mal deu para sentir o gostinho. Mesmo diante dessa espécie de anestesia das massas, o que nos reveste de um certo otimismo é que não há outra saída para além das pressões populares. Ou ela vai às ruas espontaneamente, ou será empurrada pelas circunstâncias adversas.  

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