sexta-feira, 28 de abril de 2017

Michel Zaidan Filho: O pequeno governador





O atual mandatário de Pernambuco protagonizou uma cena digna do tamanho de sua ilustre pessoa. Reuniu-se secretamente com o temeroso, em Brasília, para acerta o seu apoio à aprovação das medidas anti-populares contra os trabalhadores, aposentados e prestadores de serviço. Gravou um vídeo, apoiando as medidas para ser usado como propaganda pelo Palácio do Planalto. Em troca receberia empréstimos para sua gestão. Ocorre que o Partido do qual o governador é o vice-presidente nacional (PSB) fechou questão contrária à aprovação dessas medidas e caminha rapidamente para sair da base do governo federal. Criou-se " uma saia justa" entre a declaração de apoio do mandatário pernambucano e a direção nacional do Partido. Resultado: o pequeno governador foi obrigado a se desdizer publicamente, através de uma declaração ambígua e inconsistente, afirmando que não podia ficar contra o Partido, mas que uma reforma trabalhista era indispensável para o desenvolvimento do País. De Pernambuco, só o filho do senador Fernando Bezerra Coelho, que tem um cargo de ministro na governo federal, desobedeceu o Partido, e votou a favor das medidas anti-populares. Os demais membros da bancada pernambucana (Mendonça Filho, Bruno Araujo, Eduardo da Fonte, o raivoso ex-governador e outros) deram seu apoio ao esbulho e deverão arcar o com ônus político-eleitoral, nas próximas eleições proporcionais.

Essa vergonhosa "dança de rato" do primeiro mandatário pernambucano é mais um episódio que se somam a um conjunto desastroso de medidas equívocas, contraditórias, autoritárias tomadas por ele contra o povo pernambucano. Se é de iniciativa dele ou de seus conselheiros, o fato é que esses atos só confirmam a tese da incapacidade administrativa (e política) desse bisonho governador, transformado em gestor público pelas mãos maquiavélicas do falecido,cuja alma deve estar se escondendo das delações dos executivos da empresa Odebrecht. Não se sabe como será conduzida a sucessão dessa triste figura, no contexto de uma disputa quase familiar e oligárquica, que vem marcando o cenário político do Estado. O antigo chefe, pelo menos, tinha jogo de cintura e agregava o conjunto do partido. Esse nem possui capacidade negocial, não tem carisma e é um desastre administrativo. A população pernambucana precisa estar bem atenta ao desfecho desse processo, para que a "eminência parda" desse governo não termine por impor um nome, tirado do manga, que garanta a unidade do grupo político e que assegure a continuidade e a sobrevida dessa oligarquia.


Michel Zaidan Filho é filósofo, historiador, cientista político, professor titular da Universidade Federal de Pernambuco e coordenador do Núcleo de Estudos Eleitorais, Partidários e da Democracia - NEEPD-UFPE. 

4 comentários:

  1. Fico muito feliz em ler um texto simples e muito objetivo que em poucas palavras mostra toda mazela em que se encontra o povo Pernambucano.

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  2. Bom dia.
    Ficamos mais felizes ainda em ter você entre nossos leitores. Indique o blog aos amig@s. Um grande abraço!

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  3. Boa noite. Parabéns pelo blog e pelos textos. Dois fatos recentes, um objeto do artigo, são muito relevantes para a perspectiva de reagrupamento do chamado campo democrático-progressista: essa guinada do PSB de volta, envergonhado certamente, de saída do governo golpista e seu programa antipovo; e a grande Greve Geral de 28 de Abril. Ambos os movimentos convergem para uma reconstrução de uma plataforma popular e para o tão sonhado alicerçamento de uma frente ampla social e partidária?

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  4. Bom dia, Gerson.

    Muito grato pela leitura e comentários ao texto. De fato, como observa o professor Zaidan, o movimento do governador pode mesmo ser classificado de dúbio e errático, típico de quem não tem a estatura política convergente com o cargo que ocupa. Por outro lado, como você observa, a posição do partido constitui-se num indicativo sobre a recomposição das forças do campo popular, em contraposição ao golpe institucional ora em curso no país, cujas consequências já aparecem no horizonte, como as reformas trabalhista e previdenciária. Um forte abraço do editor.

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