sexta-feira, 21 de abril de 2017

O silêncio dos inocentes?


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José Luiz Gomes 


Depois da idade e das experiências, me tornei um cidadão menos idealista. É curioso assistir, no entanto, o silêncio de familiares, partidários e cupinchas de um ex-governador de Estado encrencado até a medula nas maracutaias de recebimento de propinas do famigerado Departamento de Obras Estruturadas da Odebrecht. Seu operador chegou a "achacar" os executivos da construtora, solicitando quantias exorbitantes para fechar negociatas envolvendo obras públicas. Como afirmou um dos delatores, em resposta ao seu achacador, "afinal, de que planeta estamos falando?" No final, segundo ele, chegou-se ao acerto de R$ 14 milhões, divididos em duas parcelas, mas o montante solicitado a princípio seria de R$ 90 milhões. Curiosamente, setores da imprensa pernambucana, inclusive um conhecido veículo do status quo, vem noticiando esses fatos, certamente, respaldados por sua assessoria jurídica.  

Não vou aqui citar nomes, por razões conhecidas, mas estão aí os exemplos da Arena Pernambuco, do presídio de Itaquitinga - cujas paredes eram de gesso e o alambrado de proteção contra fugas fabricados com grades de galinheiro - e a Refinaria Abreu e Lima, pelo visto, um grande duto de desvios de recursos públicos através desses expedientes.Neste último caso há até um "novilho" envolvido. Como informou o professor Michel Zaidan em artigo aqui publicado, as cobranças ao poder público, as críticas, aqui na província são tratadas como ofensas pelas oligarquias de turno, que movem mundo e fundos para atingirem e prejudicarem os cidadãos que exercem sua cidadania e exigem boas práticas de gestão dos seus governantes. Correm um sério risco de receberem, logo cedinho, a presença de um oficial de justiça em sua residência. 

O que consideramos impressionante neste caso, é que eles não se insurgem contra os delatores, os agentes públicos da Polícia Federal ou mesmo em relação aos membros do judiciário, mas possuem seus alvos preferenciais, possivelmente aqueles mais vulneráveis, como jornalistas, professores universitários, blogueiros e afins. Quando a Polícia Federal realizou ma mega operação no Estado em relação às irregularidades encontradas na Arena Pernambuco, na denominada Operação Fair Play, foram seus delegados que afirmaram em alto e bom som que havia uma quadrilha especializada em fraudar o erário operando no Estado. Se tivermos eleições regulares em 2018, os eleitores pernambucanos precisam ficar bastante atento a essas práticas, que depõem contra o interesse público(...)

(Conteúdo exclusivo, liberado apenas para os assinantes do blog) 

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