quinta-feira, 6 de abril de 2017

Tijolinho: As infelizes declarações de Bolsonaro. Mais uma.




Há alguns meses atrás, este editor e o cartunista Quinho foram duramente atacados por partidários do senhor Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Este editor, por um editorial publicado nas redes sociais e o Quinho, por uma de suas charges, igualmente publicada nas redes sociais, que precisou ser retirada temporariamente do seu perfil, em função dos torpedos de agressividade dirigidas a ela. A charge ilustra este texto e está publicada acima. À época, escrevemos um longo texto em resposta a um grupo, formado na sua maioria por jovens, que erguem bandeiras em favor da volta dos militares e idolatram personagens como o coronel Brilhante Ustra. O texto foi escrito, mas não chegamos a publicá-lo porque, logo em seguida, soubemos de um fato que passou a ser bem mais emblemático do que havíamos escrito: uma senhora que fora espancada por partidários do senhor Jair Bolsonaro, em Brasília. Depois, parece não haver mesmo bons argumentos para a insensatez dessa gente. 

A última do senhor Jair Bolsonaro ocorreu no Clube Hebraico, no Rio de Janeiro, que o convidou para proferir uma palestra. Segundo fui informado, ele estava bastante nervoso durante a palestra. Em ocasiões assim, ele que já é chegado a umas bravatas, parece ter exagerado na dose ao se referir a uma visita que havia feito a uma comunidade quilombola, afirmando: eu fui em um quilombo, o menor afrodescendente pesava sete arrobas. Não fazem nada e eu acho que nem para procriar eles servem". Julgando que, embora profundamente equivocada, essa frase poderia ter sido tirada de um contexto, fui informado logo em seguida, que, em sua fala sobre como trataria essas comunidades no caso de tornar-se Presidente da República, ele não apenas ratificou o que houvera dito, como foi ainda mais contundente, transparecendo aqui um verdadeiro desprezo por essas comunidades, quando pouco, racismo, se desejarmos ser mais preciso.

O senador Randolfo Rodrigues(Rede-AP) pediu um voto de censura do Senado Federal em razão desse pronunciamento do deputado Jair Bolsonaro, adjetivando suas declarações como um verdadeiro atentado à dignidade humana. Na realidade, mais um, uma vez que o Deputado Jair Bolsonaro já responde inquéritos até no STF por essas suas disenterias verbais que beira à decrepitude moral. A quadra política brasileira hoje, no país do pós-golpe institucional, é tão degradante que um cidadão com este perfil desponta com uma boa base de apoio entre eleitores para as eleições presidenciais de 2018. No retrovisor politico de Lula, cujo recall ainda é forte, não aparece aquelas figuras carimbadas de outrora, mas justamento Jair Bolsonaro. Como se sabe,a crise e o caos políticos são fermentos fortes para o surgimento de movimentos que dão suporte a pessoas como este cidadão. 


A resposta do cartunista Quinho Ravelli aos seus agressores nos satisfaz:


O que me causa espanto é que a grande maioria dos denunciantes é composta por adolescentes imaturos, sem leitura suficiente (escrevem e interpretam mal, cometem erros grosseiros de ortografia e concordância) e não ainda sabem argumentar e lidar com a diversidade de opiniões. A maioria da molecada usa o discurso repetido, ora postando um meme (alguns até engraçados), ora utilizando agressões verbais. Alternam com gritos contra a esquerda, o famoso "Bolsomito" entre outros frases-mico do tipo. Bloqueei a postagem de imagens para tentar evocar alguma argumentação própria da parte deles, mas foi em vão - não souberam o que dizer, a não ser escrever xingamentos ou palavras de ordem. 
É bem preocupante essa postura rasteira de uma juventude intolerante e claramente tendenciosa à escrotidão do fascismo, que afina suas ideias com o pensamento conservador e autoritário. 

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