segunda-feira, 1 de maio de 2017

Editorial: 1º de Maio, um dia de lutas inadiáveis.



Difícil mesmo encontrar algum motivo para comemoração neste dia 1º de Maio, um dia dedicado aos trabalhadores. O índice de desempregados está chegando à estratosfera, atingindo a inusitada cifra superior aos 14 milhões. No Legislativo mais corrupto de nossa história recente, a tramitação de uma reforma trabalhista e previdenciária com objetivos bastante escusos. O Governo Temer, que amarga índices de rejeição acima dos 60%, não afasta os seus ministros acusados na Lava Jato porque sabe que criaria ainda mais problemas para a aprovação dessas medidas amargas. No horizonte, um cenário político de terra arrasada, terreno fértil para a ascensão de ovos da serpente, conforme parece indicar o vertiginoso crescimento de candidaturas com o perfil de um Jair Bolsonaro. Pensando bem, em certa medida, um dia para ser esquecido.

Salvo, talvez, pelo esboço de uma reação das forças do campo popular e progressista, que, no último dia 28 de abril, deram uma demonstração de força com a greve geral, que conseguiu mobilizar categorias de profissionais em todo o país, contrárias às reformas trabalhistas e previdenciárias. Em Brasília, o rolo compressor das reformas neoliberais continua moendo. O presidente temerário fez questão de enfatizar em suas falas uma espécie de irredutibilidade desse processo, assim como mostrou-se impassível em relação às últimas mobilizações de rua. Gélido como o Conde Drácula, típico de quem tem sua gestão aprovada apenas por 9% da população. Nossa impressão é que esse gelo ainda derrete. O problema maior hoje é o que vai ser posto em seu lugar, neste clima de anti-política. No momento, é torcer que essas mobilizações possam ter provocado alguma reação nesse Legislativo "possível" e que o enterro de direitos e garantias constitucionais, assim como o  Estado de bem-estar social, previsível nessas reformas, possa voltar do cemitério.

Na realidade, nunca é demais repetir, estamos mergulhados numa profunda crise institucional, política e econômica, sem que se vislumbre uma luz no fim do túnel. Aqui e ali, pontualmente, algumas sinalizações positivas, como esta convocação exitosa da greve geral e uma possível "rebelião" dos integrantes do PSB, que parecem desejar desembarcar do governo e fazer uma espécie de caminho de volta às suas origens históricas. Aqui em Pernambuco, por exemplo, uma possível reunião dos membros da legenda indicou uma descoordenação de ação e  posicionamento da legenda sobre as votações recentes no Legislativo, o que não seria nenhuma novidade. No plano nacional, Carlos Siqueira, dirigente do grêmio partidário, já informou que aqueles que desobedeceram a orientação do partido na votação da reforma trabalhista serão afastados dos cargos de liderança ou comando. Um partido que chegou ao fundo do poço da decomposição ideológica, pasmem os senhores, agora fala em "coerência". Vá entender. De qualquer forma, como observa o adágio popular, ninguém se perde no caminho de volta.

Ontem fizemos questão de acompanhar a entrevista concedida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao jornalista Kennedy Alencar, transmitida pelo SBT. Durante a entrevista, fica clara a intenção do ex-presidente em tentar voltar ao Palácio do Planalto nas próximas eleições presidenciais. O que antes se colocava como uma possibilidade, hoje parece algo mais concreto, em razão de um desejo pessoal. A eventualidade de uma possível "inelegibilidade" no curso das encrencas da Operação Lava Jato, segundo ele, seria mais um golpe, apenas como a interdição das eleições de 2018, uma vez que não haveria razões jurídicas para impedir a sua candidatura. Quanto ao embate com o juiz Sérgio Moro, ele sugeriu que fosse transmitido ao vivo. De fato, não há como "provar" que Lula seja mesmo o dono do tríplex do Guarujá, assim como do sítio de Atibaia. Para "pegá-lo", conforme se presume, a justiça terá que encontrar algo mais consistente. Quem nos acompanha aqui pelo blog já conhece nossa opinião sobre uma eventual volta do Lula. Opinião de um brasileiro eternamente grato pelas conquistas sociais dos governos da coalizão petista, mas reticente quanto a outros avanços institucionais que o país reclama há séculos. 

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