sexta-feira, 5 de maio de 2017

Editorial: Crescem os conflitos agrários no país


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O Brasil é um dos poucos países do mundo que não conseguiu realizar sua reforma agrária. Neste quesito, não parecemos nem um país, mas uma dessas republiquetas de bananas, comandada por algum ditador de turno, que mantém a concentração de terra nas mãos de poucos - com práticas conhecidas de eliminação física daqueles que lutam por um lugar ao sol - com o inestimável apoio de grupos-paramilitares financiadas por grandes latifundiários. Nossa elite escravista, latifundiária, cevada durante seculos sob o regime de escravidão, usa todos os meios à sua disposição para impedir a democratização do acesso à terra. Como disse outro dia, nem os governos da coalizão petista conseguiu avançar significativamente neste quesito, pois chegou ao poder com alguns compromissos previamente acertados com esta elite, o que limitou bastante seu raio de ação.Até mais recentemente, recrudesceram novos casos de massacres de trabalhadores no campo, inclusive em terras originalmente pertencentes aos índios, como ocorreu no Maranhão. 

Os conflitos se sucedem sem que o aparelho de Estado seja capaz de arbitrá-los. Depois do massacre da cidade de Colniza, no Mato Grosso, já foram encontrados 04 corpos carbonizados no Estado do Pará, provavelmente em função da luta pela posse da terra. Soma-se a esses fatos, o embate entre índios e latifundiários no Estado do Maranhão. Talvez esse não seja o momento mais oportuno para tratarmos dessa questão, mas a tendência é um agravamento desse quadro, motivado pela ausência de Estado para mediar esses embates, assim como a pressão exercida pelas bancadas ruralista(do boi) e da berlinda, que deram sustentação ao golpe institucional materializado no país. Esses grupos defendem o afrouxamento da legislação que trata do trabalho escravo no país, assim como defendem a tese de que há muita terra para poucos índios, ou seja, há uma inegável cobiça sobre as terras demarcadas como de reserva indígena.  

Durante o período em que esteve preso em Curitiba, o ex-ministro José Dirceu aproveitou para por em dia as leituras. Um bom hábito, não resta a menor dúvida sobre isso. Dada a familiaridade com os livros, segundo dizem, ele era capaz de descrever, em minúcias, o acervo da penitenciária. Li ontem que ele havia afirmado que, numa eventualidade de um retorno do Partido dos Trabalhadores ao poder, aquelas famosas reformas teriam que ser feita de todo jeito. Reforma política, tributária, agrária e a que trata da democratização da mídia, diminuindo o poder dos oligopólios familiares. Nenhuma dessas reformas, que o país tanto reclama, conseguiu passar nos governos da coalizão petista, naturalmente, pelas razões expostas acima, ou seja, as forças conservadoras não as permitiram. Aqui se faz necessário alguns reparos. O primeiro deles diz respeito a uma eventualidade de um retorno do PT ao poder, algo que no horizonte político parece não ser possível sem um arranjo político que permita uma nova reedição de uma conciliação de classes que todos já viram onde deu. Depois, se tal processo for reeditado, pouco provável que consigamos avançar nessas reformas, contrariando as expectativas do nosso ex-ministro. 

Portanto, embora o ex-ministro esteja correto em suas conclusões sobre a necessidade dessas reformas, sabe ele, que foi um dos principais mentores dessa conciliação de classe que permitiu ao PT chegar ao poder, que não será possível concretizá-la nesse "espaço" político possível, sobretudo em se observado o retrocesso que o país atravessa, onde o atual governo, em poucas canetadas, nos fez retroagir a décadas em torno de avanços sociais e de garantias de direitos individuais e coletivos. O país vive sob escombros, num clima de terra arrasada. Não quero ser pessimista, mas, nesse ambiente político abafado tudo é possível. Infelizmente. Neste cenário, o mais provável é a eclosão de ovos da serpente, como o Deputado Jair Bolsonaro - que já aparece em segundo lugar em algumas pesquisas de intenção de voto - assim como "novatos", como é o caso do prefeito de São Paulo, João Dória Junior, hoje o candidato mais forte entre os tucanos.  

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