sábado, 6 de maio de 2017

Editorial: Lula X Moro - O grande encontro.




A julgar por uma entrevista recente do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao jornalista Kennedy Alencar, do SBT, é possível concluir que ele está bastante preparado para o que o aguarda na audiência programada para ocorrer no próximo dia 10, na 13ª da Justiça Federal do Paraná, onde deverá ficar frente a frente com o juiz Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato. Não se pode dizer que a mídia conservadora deixou de cumprir seu script nesse processo. É bastante observar as manchetes das principais revistas nacionais; dos destaques dos grandes jornais; do esmero na edições de telejornais da emissora do plim plim, dando ênfase às declarações do senhor Renato Duque, que ajudam, segundo eles, a materializar um projeto concebido desde o início, ou seja, condenar o ex-presidente Lula, apontado-o como uma espécie de "chefe de quadrilha" ou mentor das falcatruas com dinheiro público ocorrida na estatal Petrobras. 

Até a data deste encontro, o massacre contra o ex-presidente tende a recrudescer. É natural que seja assim, no sentido de preparar a opinião pública para uma inevitável condenação. É preciso tomar alguns cuidados com determinadas afirmações, mas não deixa de ser estranho esse depoimento espontâneo do senhor Renato Duque, justamente uma semana antes da audiência do ex-presidente Lula. Parece até aquela "bala de prata" usada pelas seus acusadores. O país vive um momento dos mais delicados e, neste contexto, o julgamento de Lula assume um caráter eminentemente político. A despeito do desgaste de sua agremiação, o PT, Lula ainda é, como costuma enfatizar o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, o maior capital político dos lascados deste país, estes que estão sendo surrupiados dos seus direitos, aviltados pelo desmonte do Estado de bem-estar social. 

Este ambiente político de terra arrasada é um terreno fértil para o surgimento de aventureiros, de "novatos", de anti-políticos, de "ovos da serpente" e outros espécies do gênero. Mas, o fato concreto é que o ex-metalúrgico ainda aparece bem no retrovisor daqueles que o abominam, criando alguns embaraços no concerto da manutenção de eleições presidenciais regulares. A princípio, uma nova edição de uma "conciliação de classes" parece improvável neste momento, sendo mais prudente para a elite golpista um nome de "berço" e não um "emergente", mesmo que esse emergente seja bem-comportado, como foi o Lula nos seus dois mandatos, não mexendo nos seus privilégios históricos. Como admitiu o ex-ministro José Dirceu outro dia, se o PT voltar ao poder, algumas reformas teriam que ser feitas de qualquer jeito. 

Mantida as regras da democracia representativa, ou seja, na eventualidade de eleições diretas em 2018 - não se esqueçam os senhores que estamos sob um regime de exceção - recomenda-se que as forças do campo progressista comecem a pensar em alternativas ao Lula, uma vez que o movimento conservador dos últimos dias apenas confirma aquelas nossas suspeitas levantadas desde o início: o propósito é inviabilizá-lo. Eles devem se justificar nos depoimentos das últimas horas, pela absoluta inconsistência das demais acusações que pesam contra o petista, como a narrativa ficcional criada em torno do tríplex do Guarujá, assim como em relação ao sítio de Atibaia. Num clima de "excepcionalidade" jurídica, testemunhos orais duvidosos passaram a ter mais consistência do que provas materiais. A capa de duas das principais revistas semanais dão bem a dimensão do que afirmamos sobre o tal "movimento". 

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