domingo, 14 de maio de 2017

Editorial: A "nova" narrativa discursiva contra Lula




O golpe institucional concretizado no Brasil foi muito bem engendrado. Os agentes ou operadores dessa urdidura agem com uma sintonia ou afinidade de fazer inveja aos maiores regentes de grandes orquestras. Na absoluta ausência de qualquer prova comprometedora contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - em relação às transações envolvendo o tríplex do Guarujá - eles passaram a usar o braço midiático que os apoiam para construir uma narrativa discursiva contra o ex-presidente, argumentando que ele tentou responsabilizar ou culpar sua esposa Marisa por supostas irregularidades envolvendo aquele imóvel. O tamanho da sordidez é incomensurável, de uma injustiça desmedida. A começar pelo fato de que não há qualquer irregularidade envolvendo o casal Lula/Marisa no que concerne àquele imóvel. Depois, o interesse de Dona Marisa pelo imóvel foi uma decisão familiar, que diz respeito apenas ao casal, e que deveria ser respeitada por alguns veículos de comunicação, que continuam uma campanha sistemática no sentido de promoverem um "linchamento moral" do ex-presidente. 

Depois, o ex-presidente Lula, apenas limitou-se a responder algumas perguntas formuladas pelo juiz Sérgio Moro, onde o nome da ex-primeira-dama havia sido citado nas autos da ação envolvendo o tal tríplex. Em nenhum momento ele relacionou o nome da esposa em alguma irregularidade, até porque essas possíveis irregularidades apontadas, sobretudo pelo Ministério Público, jamais foram admitidas pelo ex-presidente. Então, registra-se aqui uma manobra de manipulação de informações, uma tecitura - volto a dizer, muito bem urdida - com o propósito de prejudicar ainda mais a imagem pública do ex-presidente Lula. São os comentários dos "jornalistas" do jornal da emissora do plim plim; os "grandes" jornais paulistas; as capas das principais revistas de circulação nacional; os blogs "limpinhos etc. Convém observar que os golpistas antes se contentavam com o apoio da "grande" mídia. Hoje, eles também travam essa "guerra suja" através das redes sociais e da blogosfera. 

Como disse antes, o depoimento de Lula colocou um xeque-mate na justiça que hoje se pratica no país. A ordem natural das coisas está completamente invertida. Antes, competia aos acusadores o ônus da prova. Hoje, diante das acusações que lhes são imputadas, é Lula que tem que provar que não é dono do tal tríplex do Guarujá. O ex-presidente foi até muito feliz ao indagar, durante o depoimento, se o Ministério Público iria apresentar alguma prova real, como uma escritura ou um contrato reconhecido - onde ficasse configurado que ele era, de fato, o proprietário daquele imóvel. Como não há nada que materialize essa assertiva "criada", constrói-se uma outra narrativa completamente infundada, capciosa, apenas com o propósito de desgastar a imagem pública do ex-presidente, acusando-o, injustamente, de tentar imputar à esposa a culpa por seus supostos "malfeitos". 

Há um livro do filósofo alemão, Friedrich Nietzsche, com o sugestivo título de "Além do Bem e do Mal", onde ele afirma que toda palavra é uma máscara e todo discurso é uma fraude. A verdadeira intenção de um discurso não está naquilo que ele revela, mas naquilo que ele omite. E aquilo que ele omite é a verdadeira razão de ser do discurso, a real intenção do ator que está por trás do discurso. Essa "nova" narrativa discursiva construída por esses veículos contra Lula, em cima de falsas premissas, visam, em última análise, ancorar aquele objetivo esboçado desde o início por esses grupos, qual seja, o de inviabilizar politicamente, o maior capital político das classes menos favorecidas deste país, nem que para isso precisem "plantar", sistematicamente, mentiras que possam descredenciá-lo junto à opinião pública. Um jogo sórdido. Um jogo sujo.  



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