quarta-feira, 24 de maio de 2017

Editorial: Todos os homens do presidente.


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Um trabalho minucioso de jornalismo investigativo realizado por dois jovens repórteres do Washington Post culminou com a renúncia do presidente americano Richard Nixon. Depois, o episódio ganharia as telas com o filme "Todos os Homens do Presidente". Não vou aqui entrar nos detalhes do escândalo Watergate, porque eles são por demais conhecidos, além de ter-nos se reportados a eles por mais de uma vez qui pelo blog. Mas hoje, ao observar a debandada dos homens de confiança do presidente Michel Temer(PMDB) do Palácio do Planalto, não tive como deixar de lembrar deste filme. Dos seus assessores especiais, apenas um permanece no cargo. 04 deles já pediram exoneração, alegando os mais diferentes motivos, mas alguns enredados igualmente em denúncias de comportamento pouco compatível com o que se espera de um homem público. 

Nós até tentamos suavizar na escrita, mas, aqui para nós, que assessoria especial, em? Pelo andar da carruagem política, já se sabe muito bem qual era a especialidade dessa gente. Pediram afastamento dos cargos José Yunes, Rodrigo Rocha Loures - o homem da mala - Tadeu Fellippeli, preso sob a acusação de ter se beneficiado de recursos desviados na reforma do estádio Mané Garrinha, em Brasília; e, por último, Sandro Mabel. Fala-se numa espécie de maldição do 3º andar do Palácio da Alvorada, mas, a rigor, a maldição por ali é generalizada. A prisão de Fellippeli complica ainda mais o já agonizante governo Michel Temer. O governo acabou e nem os fingimentos de normalidade hoje conseguem disfarçar a agenda que começa a ser construída com setores da oposição no sentido de se construir uma ponte política possível até as eleições de 2018. A reforma radical da Previdência, por exemplo, para alívio de todos os trabalhadores brasileiros, não tem a menor chance de seguir adiante. Pelo menos não como foi pensada pelo Governo Temer. 

Essa oportunidade política de construirmos uma ponte democrática até as eleições de 2018 não pode ser perdida. Gostei bastante da atitude da oposição, no dia de ontem, asfixiando a pauta de improvável normalidade que se tentava passar nas casas legislativas. O sistema político precisa, antes, de uma solução para a crise que se instaurou no Executivo, depois das gravações que pegaram o presidente Michel Temer em situação pouco condizente com o cargo que ocupa. É correto o raciocínio do presidente da OAB, ao afirmar que pouco importa a qualidade das gravações realizadas pelo empresário Joesley Batista. O que está em jogo é a relação pouco republicana mantida pelo senhor Michel Temer com este cidadão. Por falar em OAB, há uma grande expectativa sobre qual será o comportamento do senhor Rodrigo Maia, ao se confrontar com o pedido de impeachment impetrada pela ordem. Já são doze, mas o da OAB vem revestido de um capital simbólico e político que não pode ser desprezado.

Há quem informe que o Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, genro do gato Angorá, enxergue nessa crise política uma rara oportunidade de segurar o leme até as eleições presidenciais de 2018. Joga ora para a plateia, joga ora no sentido de se fazer passar por um fiel escudeiro do presidente Michel Temer. Nenhum nome que esteve direta ou indiretamente envolvido com as tecituras golpistas que afastaram a presidente Dilma Rousseff se torna confiável neste momento. Talvez a melhor solução seja mesmo uma eleição direta - embora improvável se analisarmos a correlação de forças em jogo - colocando as ruas como instância deliberativa maior da solução desse impasse. O que seria o suposto pudor sobre as regras constitucionais, quando se sabe que ela foi violentamente atacada pelos agentes desse governo de turno? A convocação de novas eleições diretas seria, em última análise, uma forma de retirarmos os aparelhos que mantém o nosso sistema político respirando precariamente - não para deixá-lo morrer,mas, ao contrário - devolvê-lo à sala de recuperação.  

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