sábado, 20 de maio de 2017

Editorial:Diálogos indecentes no Jaburu



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Os principais analistas políticos já chegaram à conclusão de que o problema agora é o que virá, após o ocaso do Governo Michel Temer. Um governo com este perfil, sem a mínima estatura moral, ética e absolutamente desprovido de espírito público, não teria a menor chance de se afirmar. Depois do desfecho do impeachment da presidente Dilma Rousseff - que contou com o apoio de grupos poderosos e a leniência do judiciário - o sociólogo Sérgio Pinheiro(USP) cunhou uma frase que ficaria célebre - e recorrente, desde então - informando que o país passava a ser governado por gangsters. Ficamos imaginando agora a cara de tacho daqueles deputados que promoveram aquelas cenas hilariantes na Câmara dos Deputados, quando o pedido de afastamento da presidente foi aprovado, inciando-se ali o seu calvário. Bradavam eles que estavam votando no "sim, senhor presidente", em nome de uma moralização da coisa pública. Vocês já calcularam o tamanho do disparate?

O fato concreto é que o nosso sistema político - que nunca foi mesmo grande coisa - desta vez entornou de uma vez, posto que, com raríssimas exceções, os atores políticos estratégicos e relevantes - capazes de tentar construir algum consenso - estão todos enredados nas investigações da Operação Lava Jato. Alguns desses atores, inclusive, estavam, até bem pouco tempo, blindados pelas forças nada ocultas que arquitetaram o golpe contra a presidente Dilma Rousseff. A bomba estourou em Brasília, não em Curitiba ou em Belo Horizonte, onde esses atores pareciam controlar a situação. Isso parece ter feito alguma diferença, levando a emissora do plim plim a ir no "embalo", pela absoluta ausência de algum preparo ante o inusitado. Não pensem vocês que eles se tornaram democratas e constitucionalistas. Por vezes, em política, as circunstâncias podem ser determinantes. 

O irmãos Wesley e Joesley Batista é o que se chama no jargão policial, uma espécie de "fio desencapado", ou seja, aquele indivíduo que, movido pelas mais distintas possibilidades, acabam "entregando" o jogo da bandidagem, ajudando a polícia a identificar e comprometer, neste caso, os malandros do erário. No caso dos donos do grupo J&B, certamente a motivação seria as vantagens oferecidas aos delatores. Ninguém poderia imaginar que esse fio desencapado pudesse ser alguém de tamanha confiança do establishment golpista, com o prestígio de ser recebido à noite, no Palácio Jaburu, consoante as suas conveniências, se apresentando como o senhor Ricardo, num agendamento absolutamente clandestino, pouco compatível com a transparência das ações de um Presidente da República.  

Na residência oficial do presidente da República Federativa do Brasil, os diálogos se mostrariam absolutamente indecentes, indecorosos, anti-republicanos. Mais do que isso, ficam caracterizados os ilícitos incongruentes com o exercício do cargo público exercido pelo senhor Michel Temer, em última análise, um agente público, como mostrariam os vídeos gravados, e depois divulgados, tudo de acordo com o combinado com o aparato judicial, de segurança e controle do Estado. As gravações de irmãos Batista fisgaram alguns figurões da república, peixes graúdos, que continuaram operando nos estertores, mesmo diante dos avanços das investigações da Operação Lava Jato, numa evidência de que ainda estamos muito distante de extirparmos a corrupção estrutural do país. 

  

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