quarta-feira, 28 de junho de 2017

Editorial: A melhor defesa é o ataque?


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Os assessores do presidente Michel Temer(PMDB) dizem que ele está pintado para a guerra, ou seja, irá utilizar-se de todos os recursos que ainda dispõe para livrar-se de uma encrenca maior no STF, onde seu destino seria incerto, caso a Câmara Federal autorize o primeiro pedido de investigação contra ele, formulado pela Procuradoria-Geral da República, onde é acusado do crime comum de corrupção passiva. O procurador-geral, Rodrigo Janot, não tem qualquer dúvida, sobretudo a partir das informações fornecidas pela Polícia Federal, de que o dinheiro da mala era mesmo para o presidente. A perícia técnica realizada nos áudios também não permitem dúvidas sobre sua autenticidade, assim como ficaram mais claros alguns trechos da gravação, o que compromete ainda mais Michel Temer. Mesmo assim, de dentes trincados, Temer reafirma que ninguém o destruirá, denunciando o procurador de acusá-lo sem provas. Comenta-se que a estratégia de "defesa" do presidente Michel Temer teria sido aconselhada pelo seu marqueteiro. 

Tinha razão o dramaturgo Nelson Rodrigues ao concluir que este país é mesmo um país improvável. Primeiro, pelo inusitado de um Presidente da República, em pleno exercício do mandato, sofrer a acusação de ter cometido crime de corrupção passiva, se locupletando das funções para auferir vantagens indevidas. Depois, o conjunto de manobras que se armam no campo político com o propósito deliberado de protegê-lo das consequências dos seus atos, que, por sinal, são comuns nesse meio. Creio que apenas por esse aspecto se explica essa autoproteção da classe política, praticamente toda ela encrencada em casos similares de atitudes pouco compatíveis com aquilo que se espera de um homem público. Uma penca deles possuem rolos a resolver no contexto das investigações da Operação Lava Jato.

Submeter as acusações contra o presidente Michel Temer para serem avaliadas a conta-gotas pela Câmara Federal pode ter sido uma estratégia bem pensada pelo procurador Rodrigo Janot. Deverá haver uma pressão popular cada mais intensa no sentido de que ele seja julgado pelo STF e isso, pouco a pouco, pode ir minando as resistência do campo político. Eles entregarão a cabeça de Michel Temer quando perceberam que também poderão perder as suas, se persistirem em ignorar os apelos da população. O índice de rejeição a Temer são estratosféricos. De acordo com a última pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha, apenas 7% dos eleitores aprovam o seu governo. Creio que nem a ex-presidente Dilma Rousseff teria descido a tanto, nos seus piores momentos, quando estava com a corda já no pescoço para a decola. 

Uma pena que o nosso sistema político tenha chegado a este estado de podridão. Salvo no caso de uma reforma política profunda, realizada por novos atores políticos, eleitos para este propósito específico, os resíduos que ainda serão mantidos num eventual afastamento do presidente Michel Temer ainda são preocupantes.De fato, precisamos de um longo processo de assepsia política, capaz de sanear o ambiente político, colocando-o na perspectiva de construção da cidadania, atendendo as demandas da sociedade e não um sistema político voltado apenas para viabilizar os interesses corporativos e do capital, representado pelas corporações financeiras. Corrompido e comprometido como está, o sistema político já não atende a esses propósitos. 

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