domingo, 23 de julho de 2017

Editorial: O fim do senador Aécio Neves


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Somente um sistema político necrosado como o nosso poderia permitir uma sobrevida a um ator político como o senador Aécio Neves(PSDB). Isso, naturalmente, com alguma ajudinha de um poder judiciário igualmente comprometido. Há uma esquizofrenia desse sistema político com a sociedade que ele deveria representar, ou seja, as demandas de cidadania não são atendidas, ao passo em que prevalecem um jogo de privilégios corporativos - na  melhor das hipóteses - ou as falcatruas cometidas contra o erário,  sempre tão danosas à população. É neste sistema político apodrecido que proliferam os vermes que atormentam a nossa tranquilidade republicana, subtraindo nosso sono cotidiano, em meio às tormentas de incertezas políticas e econômicas que conduzem a coisa pública no país.

Há muitas críticas sobre o comportamento do eleitorado brasileiro. Essas críticas partem dos atores diretamente interessados nos seus resultados - como é o caso dos políticos - assim como de estudiosos dentro e fora da academia. Dizem que se trata de um eleitorado muito susceptível, volátil, inconsistente, movido por interesses outros que não aqueles que, de fato, seriam interessantes para fortalecer nossa democracia representativa. Mas, outro dia, também li algumas considerações positivas sobre o comportamento do nosso eleitorado. O acachapante resultado obtido pelo senador Aécio Neves(PSDB-MG), numa pesquisa recente de intenção de voto para a Presidência da República, realizada naquele Estado - seu principal reduto eleitoral - talvez explique alguma racionalidade desse eleitorado, diante das possíveis reações às acusações que pesam contra o senador.

Ele, que na última campanha presidencial obteve 51 milhões de votos como postulante à Presidência da República, desceu ao limbo neste último levantamento, realizado pelo instituto Vox Populi, cuja performance não ultrapassou os 1,1% do eleitorado daquele Estado, numa simulação em torno das eleições presidenciais de 2018. Na realidade, a rigor, as acusações contra o senador se acumulam desde os tempos em que ele exercia o cargo de governador de Estado, o que acentua ainda mais as preocupações do eleitorado mineiro quanto à eventualidade de reconduzi-lo a algum cargo público. Faz algum sentido. Aliás, faz todo sentido essa preocupação.

Herdeiro direto do espólio político deixado pelo ex-presidente Tancredo Neves, Aécio Neves despontou como uma das grandes promessas da política brasileira, ao lado do ex-governador pernambucano, Eduardo Campos. Na opinião do experiente político Fernando Lyra, as duas grandes lideranças políticas surgidas no país nas últimas décadas, ambos netos de duas figuras de proa da cena política nacional: Tancredo Neves, como já citado, e o saudoso Miguel Arraes de Alencar, que deve estar se remoendo na tumba, com essas conversas entre integrantes de sua legenda, o PSB, e os Democratas. Mesmo nessas circunstâncias das mais adversas, como se sabe, o sistema político tenta salvar a pele do senador mineiro. Como diria aquele feirante da famosa feira de Solânea, no Brejo Paraibano, é tudo farinha do mesmo saco. Por aqui não se espere muita coisa não. Ainda bem que, em certo momentos, o eleitorado brasileiro parece dar sinais de uma certa lucidez, estabelecendo essas clivagens e apeando alguns atores políticos.   

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