domingo, 30 de julho de 2017

Editorial: As planilhas de Joesley Batista

Capa edição 997 home  (Foto: Época )
Aqueles leitores mais atentos - e menos radicais - que se permitem ao menos uma passada de olhos pelo noticiário da "grande imprensa", já devem ter percebido que o prestígio do presidente Michel Temer(PMDB) por aqui está mais baixo do que poleiro de pato. Não acreditamos que isso possa mudar o placar da votação que ocorrerá na Câmara dos Deputados, na próxima semana, onde deverá ser apreciado pelos parlamentares um pedido formulado pela PGR no sentido de que ele seja investigado pelo STF. Infelizmente, o nosso sistema político não reúne as condições de apear atores políticos nessas condições. A clivagem moral ali é praticamente nula, num jogo corporativo, de chantagens e oferecimento de benesses que os atuais ocupantes do poder sabem jogar muito bem.
É curioso observar que, ao que se sabe, não se conhece algum movimento do Planalto no sentido de frear essa sanha da imprensa que, até bem pouco tempo, emprestou todo o seu apoio às artimanhas golpistas que culminaram com o afastamento da ex-presidente da República, Dilma Rousseff. Também não se é ingênuo o bastante para acreditar que essa mesma imprensa esteja sendo movida por algum prurido republicano ou ético. Há outros tantos interesses em jogo, cada qual mais cabeludo do que o outro, nenhum deles assim de orientação republicana. O que se prenuncia é que o ator político Michel Temer talvez tenha perdido as condições de implementar esse "projeto" patrocinado por essas forças, nem tão ocultas assim, como diria o ex-presidente Jânio Quadros. Apenas isso.
De acordo com a matéria da Revista Época, dos Marinhos, a JBS abasteceu a Procuradoria-Geral da República com provas robustas sobre os estertores das relações promíscuas entre o poder público, o campo político e a iniciativa provada. À exemplo da Odebrecht, há, ali, uma espécie de planilha onde se configura os "por dentro" e "por fora" de propinas pagas à classe política, inclusive o atual mandatário do país. O editorial da Folha de São Paulo, por sua vez, chega à conclusão de que os indícios são muito fortes contra o presidente Michel Temer(PMDB). Apesar de não manter um departamento de propinas institucionalmente organizado, o grupo J&F, assim como a Construtora Odebrecht, também não se descuidava desse setor, disponibilizando uma equipe de executivos quase que dedicados exclusivamente a essas relações com o poder público.
As delações premiadas dos executivos e sócios da Construtora Odebrecht produziram um tsunami na política brasileira. Até então, por mais que soubéssemos que no país existia uma espécie de corrupção endêmica, poderíamos  imaginar que ela atingisse, naquelas proporções, os poderes de nossa podre república. Na realidade, aquele fenômeno que já se observava no contexto dos regimes ditos democratas - onde as corporações assumiam o poder antes atribuído ao povo - isso já existia no Brasil há algumas décadas. É o Brasil sempre inovando, diriam alguns. Infelizmente, em última análise, num país chamado Brasil, essas provas hoje apresentadas pelo Grupo J&F - amplamente divulgadas pela revista Época - podem não alterar, em nada, o resultado desse jogo de cartas previamente marcadas. Somente aqui mesmo.  

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