segunda-feira, 24 de julho de 2017

Editorial: O poder da bancada ruralista(do boi)


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Os leitores mais atentos já devem ter se dado conta de que tudo converge para o favorecimento das oligarquias rurais neste momento delicado da vida política do país. Um dos reflexos mais evidentes desse golpe institucional foi o recrudescimento dos conflitos no campo, com a morte de assentados, indígenas e trabalhadores rurais. Todas as medidas adotadas pelo Governo Temer(PMDB) vão no sentido de favorecer os grileiros e proprietários, em detrimento das comunidades indígenas, quilombolas e de trabalhadores rurais. Desde as tessituras iniciais em torno da urdidura golpista já se sabia que a bancada ruralista seria beneficiada, posto que seus representantes deram sustentação ao golpe. O que não se sabia é que eles se tornariam protagonistas desse processo, superando, até mesmo, atores políticos, tidos, a princípio, como mais relevantes.

Outro dia, numa fala durante um seminário, resolvi enumerar esses danos: Proibição da divulgação da lista suja do trabalho escravo; interrupção das demarcações de terras indígenas e quilombolas; sucateamento de órgãos como a FUNAI; afrouxamento da legislação que trata do trabalho escravo; revisão das reservas ambientais, diminuindo as terras antes tidas como de preservação. Parei de falar porque isso implicaria passar todo o tempo disponível enumerando esses danos. Isso, na realidade, sugere um grande debate, para além das fronteiras do país. Não é possível que as coisas continuem assim. Nesses momentos de crise institucional, onde o pescoço do presidente está a perigo, aí sim é que as coisas estão se agravando, pois os ruralistas aproveitam o equilíbrio político precário para aumentarem as exigências e os achaques. Até o assédio aos dissidentes do PSB parece envolver questões relativas à bancada ruralista.

No futuro, quando cientistas políticos e sociais, historiadores estiveram debruçados sobre os componentes do golpe institucional pelo qual o país passa, não podem negligenciar o papel efetivo da bancada ruralista nesse processo - e não apenas como atores coadjuvantes.  Primeiro, como apoiadores. Depois, quiçá, como protagonistas do processo, já que se constituem num dos grupos mais favorecidos. Estão obtendo praticamente tudo que desejam. O país, que nunca conseguiu realizar sua reforma agrária, agora retroage ainda mais, impedindo demarcações de terras indígenas e quilombolas, de trabalhadores rurais, retirando terras de reservas e concentrando-a nas mãos de grileiros e ruralistas. Afinal, como dizem eles, índios não exploram madeira de lei, não plantam soja, tampouco criam gado nelore para abate. 

Afinal, agro é tech, agro é pop, agro é tudo, conforme veicula sistematicamente, através de sua rede, a emissora do plim plim. Essa campanha parece ancorar uma tendência que se observa no campo político, onde a bancada ruralista é sensivelmente favorecida pelas medidas adotadas pelo Governo Michel Temer. Que cenário é este, gente? Nas pesquisas de intenção de voto é visível o crescimento de candidato com plataformas políticas autoritárias e fascistas. Neste ritmo da carruagem política, não seria nenhuma surpresa, como sugere o sociólogo Boaventura de Souza Santos, que possamos avalizar, através das urnas, um regime fascista. Vejam a que ponto nós chegamos.

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