segunda-feira, 10 de julho de 2017

Editorial: Os pontos do grande acordão político nacional

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Os analistas políticos parecem ter dissipado qualquer dúvida sobre o que indica os últimos movimentos políticos realizados na capital federal. Está se desenhando um inevitável afastamento do presidente Michel Temer(PMDB), depois de uma autorização da Câmara dos Deputados para que ele seja investigado pelo STF. Rodrigo Maia(DEM), o presidente daquela Casa Legislativa, ainda o recepciona com as formalidades de praxe, mas articula, na surdina, os acordos que devem conduzi-lo à cadeira presidencial até as eleições de 2018. Não é uma costura simples, pois ele precisa mostrar-se confiável para o conjunto de forças que deram sustentação ao golpe institucional ora em curso no país. Mordido pela mosca azul, porém, não falta ânimo ao deputado Rodrigo Maia(DEM), que tem intensificado suas conversas com o pessoal da "banca", preocupados com a condução da política econômica e com as nefastas reformas trabalhista e previdenciária.  
 
Do ponto de vista político, essas reformas deverão passar, uma vez que estão sendo negociadas com os congressistas, no bojo desse acordão, que deve entregar Michel Temer para julgamento junto ao STF, assim como conduzir Rodrigo Maia à Presidência da República. Não sei até que ponto os termos de ajustes dessas reformas serão respeitados. Como o propósito é satisfazer a sanha do capital, inevitavelmente os trabalhadores continuarão a ser penalizados. Comenta-se, igualmente, com o propósito de atenuar as apreensões e assegurar os votos necessários à aprovação dessas reformas, uma possível manobra de esvaziamento das ações da Operação Lava Jato. A extinção do grupo da Polícia Federal que dedicava-se exclusivamente a esta finalidade, como se sabe, sinalizou para a força tarefa que trabalhava na Operação Lava Jato um golpe duro.
 
Aguarda-se, para os próximos dias, o pronunciamento do juiz Sérgio Moro sobre o caso Lula, mas é quase certo que o ponto fulcral da Operação Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como observa o cientista político André Singer, em artigo publicado na Folha de São Paulo, seja condenado e torne-se inelegível, depois da confirmação da sentença, em segunda instância, pelo Tribunal Regional Federal. Não é improvável, igualmente, que essa coalizão já tenha chegado ao consenso sobre a construção de um nome a ser trabalhado para suceder Rodrigo Maia, a partir de 2018, possivelmente uma carruagem liderada por uma ave tucana emplumada, com o apoio do DEM, do PPS e setores do PMDB. O PMDB certamente cederia algum espaço no condomínio governista, mas, como sempre, dada as condições do nosso presidencialismo de coalizão, continuaria afiançando a governabilidade, seja lá o que isso signifique. E cada dia isso significa menos para os interesses da população brasileira. E, como já se apercebeu o leitor, essa troca de seis por meia dúzia não deve mesmo conduzir o país aos auspícios da lisura e da ética na condução dos negócios públicos, aquilo que todos nós gostaríamos. Daí se entender a preocupação do cientista político Michel Zaidan sobre o aprofundamento da necessidade de uma reforma radical do sistema político.

Na outra margem, precisamente nas margens da orla baiana, o ex-ministro José Dirceu acenou para correligionários que o PT irá retomar o poder. Lula pediu cautela ao ex-companheiro, para não reeditar a sanha anti-petista. Comenta-se que Lula estaria arregimentando forças em torno da recriação da Frente Brasil Popular. Creio que o seu cálculo político gire em torno de uma improvável candidatura presidencial em 2018. Em todo caso, ele continua um ator político relevante, com um forte apelo popular, devidamente aplainado pelo sistema. Chegou ao poder através de uma fatídica conciliação de classes e, neste contexto politico necrosado em que se transformou nosso sistema político, poderia até mesmo aprofundá-la, através de uma nova "Carta aos brasileiros". Ambiente carregado este de Brasília, de bandidos travestidos de representantes do voto popular, onde prevalece a ética das consequências, de inspiração maquiavélica, indiferentes à ideologias ou qualquer alinhamento programático, como observa Zaidan.

 

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